China vai discutir questão tibetana com o Dalai Lama

Autoridades chinesas vão se encontrarcom representantes do Dalai Lama, líder espiritual tibetano,disse a agência de notícias Xinhua na sexta-feira, citandofontes oficiais. A decisão assinala uma mudança nas táticas adotadas porPequim. Desde março, quando os protestos anti-governo agitaramo Tibet e áreas chinesas de maioria tibetana, as críticas daChina ao Dalai Lama só aumentavam. "Tendo em vista os pedidos de diálogo feitos repetidamentepelo Dalai Lama, o departamento do governo central entrará emcontato e consultará o representante pessoal do lado de Dalainos próximos dias", disse uma das autoridades, segundo aXinhua. Um porta-voz do Dalai Lama, que vive no exílio na Índia,disse que ele não recebeu nenhum convite por parte da China. OMinistério das Relações Exteriores chinês também disse que nãotem detalhes. Dalai Lama, que fugiu do Tibet depois de uma revoltafrustrada contra o comando chinês, em 1959, é considerado umtraidor pela China e acusado de ter orquestrado os protestos demarço. Ganhador do prêmio Nobel, Dalai Lama nega. Mas o Tibet virou exemplo para as manifestações anti-Chinaque tumultuaram o revezamento da tocha olímpica pelo mundo,além de liderar os pedidos de boicote dos líderes mundiais aosJogos. "Espera-se que, por meio do contato e da consulta, o ladode Dalai tome atitudes de confiança, que tenham o objetivo deconter os atos destinados a desfalcar a China, fazerconspirações e incitar a violência, além de interromper esabotar os Jogos Olímpicos de Pequim, criando condições para umdiálogo", disse a autoridade consultada pela agência. A China também está sob pressão internacional para retomaras conversas com os enviados de Dalai Lama e dar estabilidadeao Tibet, uma remota e montanhosa região ocupada pelas tropascomunistas em 1950. A tocha olímpica deve chegar ao Tibet no começo de maio,para ser levada ao topo do monte Everest. A passagem pelacapital, Lhasa, deve acontecer em 19 de junho. O Dalai Lama diz que procura alcançar autonomiasignificativa para a região, considerada estratégica, mas aChina o chama de impostor e diz que ele tem intençõesseparatistas. (Reportagem de Lindsay Beck. Reportagem adicional de BappaMajumdar, em Nova Délhi)

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