AP Photo/Ng Han Guan
AP Photo/Ng Han Guan

China vai exibir poderio militar em desfile nesta quinta-feira

Parada militar reunirá mais de 12 mil soldados, 200 aviões e tanques para comemorar o fim da 2ª Guerra, um evento que não contará com a presença da maioria dos líderes ocidentais

O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2015 | 06h00

PEQUIM - O governo chinês exibirá seu poderio militar nesta quinta-feira, 3, em um desfile com mais de 12 mil soldados, 200 aviões e tanques para comemorar o fim da 2ª Guerra, um evento que não contará com a presença da maioria dos líderes ocidentais.

O presidente chinês, Xi Jinping vai liderar, o 70º aniversário do que Pequim chama de "vitória da guerra de resistência do povo chinês contra a agressão japonesa e da guerra mundial contra o fascismo". O desfile celebrará a rendição do Japão, em 2 de setembro de 1945, e o fim da ocupação do Exército nipônico na China.

Quase 850 mil voluntários foram mobilizados para vigiar as ruas, bairros inteiros serão isolados e os aeroportos permanecerão fechados por algumas horas. Nada poderá perturbar o espetáculo. Várias fábricas foram fechadas desde meados de agosto para garantir um céu azul, sem os sinais da poluição.

No momento em que a China tenta impor sua imagem como uma potência mundial no cenário diplomático, no mesmo nível que os Estados Unidos, o desfile tem a aparência de uma exibição de seu poder. "É uma clássica exibição de poder. Tentam chamar o máximo de atenção possível, mostrar o poder do país", disse à AFP John Delury, da Univerdade Yonsei de Seul.

E isso acontece em um contexto geopolítico tenso, em meio a disputas territoriais entre Pequim e os vizinhos no Mar da China Meridional e no Mar de China Oriental.

Além disso, a parada militar acontecerá pouco depois da violenta queda nas Bolsas da China, que provocou muitas preocupações sobre a desaceleração da economia do país.

O evento será marcado ainda pela ausência dos principais governantes estrangeiros. O presidente americano, Barack Obama, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, não viajaram a Pequim.

Mas o desfile contará com as presenças do presidente russo, Vladimir Putin, de sua colega sul-coreana, Park Geun-Hye - cujo país foi colonizado pelo Japão, do presidente sul-africano, Jacob Zuma, e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. No caso da América Latina, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, viajou a Pequim.

A perspectiva de um desfile militar na Praça Tiananmen (Paz Celestial), onde o Exército reprimiu de maneira violentas manifestações que pediam democracia em 1989, pode ter contribuído para a ausência das grandes potências ocidentais. "A China permanece serena a respeito da ausência de alguns líderes ocidentais", afirma o jornal oficial Global Times.

Mas a reação não é a mesma ante a ausência nipônica. "Japão foge", apesar de sua invasão da China ter deixado entre 15 e 20 milhões de mortos. A ausência de seus dirigentes os "ridiculariza", afirma a publicação.

O porta-voz do ministério da Defesa, Yang Yujun, declarou que o "desfile não aponta para nenhum país", mas a imprensa estatal e a emissora de televisão central multiplicaram as reportagens e programas sobre as atrocidades e crimes de guerra cometidos pelo Japão, ao mesmo tempo que celebram os heróis comunistas que lutaram contra o invasor nipônico. / AFP


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