China vai informar à ONU sobre suas atividades militares

Especialistas de Defesa avaliam medida como 'passo significativo na direção correta'

Agência Estado e Associated Press,

02 de setembro de 2007 | 17h32

A China anunciou neste domingo, 1, que tornará suas operações militares mais transparentes dando à ONU informações sobre seus gastos com armas e suas vendas, medidas que, para especialistas de Defesa, são "um passo significativo na direção correta".   Pequim vem sendo criticado por países como os EUA e o Japão por não dar informações claras sobre suas atividades militares, criando suspeitas de que seus gastos com o Exército são muito maior do que o declarado. A China está atualmente num processo de grande modernização de suas Forças Armadas, e oficiais dos EUA temem que Pequim se torne um grande rival americano também no campo militar em poucas décadas.   A China dará ao secretário-geral da ONU "dados básicos sobre seus gastos militares para o último ano fiscal", afirmou a porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Jiang Wu.   O governo chinês deixou de oferecer dados ao Registro de Armas Convencionais das Nações Unidas - que detalha importação e exportação de sete categorias de armas convencionais - em 1996, depois que "um certo país" entregou detalhes de suas vendas de armamentos para Taiwan, lembrou Jiang num comunicado. Ela não nomeou o país.   Pequim voltará a fornecer informações sobre seus negócios com armas porque tal país deixou de entregar as informações para Taiwan, alegou. O comunicado do Ministério do Exterior adiantou que as informações passarão a ser dadas à ONU ainda este ano.   A falta de transparência por parte da China em suas operações e gastos com defesa "tem sido um incômodo nas relações com os Estados Unidos e Japão", explicou o analista militar Robert Karniol, em Bangcoc, Tailândia. A decisão chinesa é "um passo significativo na direção correta".   Patricia Lewis, diretora do Instituto de Pesquisa sobre Desarmamento da ONU, baseado em Genebra, aplaudiu o anúncio chinês e pediu que todos os outros países com grande exportação de armas tomem a mesma iniciativa.

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