China vê em Pyongyang mal menor

Regime norte-coreano é único anteparo entre Pequim e dois aliados estratégico dos EUA: Japão e Coreia do Sul

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

A China é, de longe, o principal parceiro comercial da Coreia do Norte e o maior fornecedor de petróleo para o totalitário e cada vez mais isolado país vizinho. Mas não está claro até que ponto Pequim está disposta a usar sua influência para forçar Pyongyang a abandonar seu programa nuclear.Na avaliação de analistas, acima da desnuclearização da Península Coreana, está o interesse dos chineses em manter a estabilidade na Coreia do Norte. Afinal, o país desempenha um papel fundamental como aliado entre duas nações intrinsecamente ligadas aos Estados Unidos: Japão e Coreia do Sul.Como diz o jornalista do Washington Post John Pomfret, na visão da China, uma Coreia do Norte com armas nucleares é melhor do que nenhuma Coreia do Norte. Não se pode esquecer que quase 1 milhão de chineses morreram na Guerra da Coreia, em defesa do regime fundado por Kim Il-sung, pai do atual ditador Kim Jong-il.CRESCIMENTONo ano passado, a China exportou um total de US$ 2 bilhões para a Coreia do Norte e importou US$ 750 milhões. O fluxo foi equivalente a 73% do comércio total de Pyongyang - comparado a 52,6% em 2005 e a 48,5% em 2004 - em um forte indício do crescimento da influência econômica de Pequim sobre o país vizinho.Os números não incluem o comércio entre as duas Coreias, concentrado principalmente nas exportações de partes do sul para o norte, para o posterior processamento no Complexo Industrial Kaesong.Fruto do investimento de quase 100 pequenas e médias empresas sul-coreanas, o empreendimento emprega pouco mais de 30 mil trabalhadores norte-coreanos. Localizado 10 quilômetros ao norte da zona desmilitarizada que divide os dois países, o complexo está a uma hora de carro de Seul e nele trabalham cerca de cem sul-coreanos.Phillip Park, do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade Kyungnam, acredita que a influência da China sobre a Coreia do Norte é menor do que se supõe. Além disso, diz, o principal objetivo de Pequim é evitar o colapso do regime de Pyongyang, ainda que ao preço de ter um vizinho com armas nucleares.

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