China vive impasse na sucessão de Hu

Escolha do próximo líder do país deverá dominar 17º Congresso do Partido Comunista, que começa na próxima semana

Joseph Kahn, The New York Times, Pequim, O Estadao de S.Paulo

08 de outubro de 2007 | 00h00

A uma semana da abertura do 17º Congresso do Partido Comunista da China e de uma grande reestruturação na liderança do partido, os dirigentes do PC vivem um impasse sobre quem deverá integrar o Comitê Permanente do Politburo e quem deverá ser designado para suceder o presidente Hu Jintao, o principal líder da China, daqui a cinco anos.A incerteza tem contribuído para um clima político tenso em Pequim, onde as preocupações com o superaquecimento da economia e conversas sobre uma ação militar para impedir Taiwan de agir no sentido da independência legal complicaram o já delicado processo de sucessão interna do partido governante.O Congresso do PC, realizado a cada cinco anos, começa na próxima segunda-feira e vai até o dia 20. O encontro servirá para ratificar uma lista de líderes que atuarão sob o comando de Hu até 2012. Mas dirigentes partidários dizem que Hu e seu ainda poderoso antecessor Jiang Zemin ainda não chegaram a um consenso sobre a constituição da liderança.Entre as questões mais importantes ainda não respondidas está a de saber se Hu conseguirá formar uma equipe com pessoas que sejam leais principalmente a ele e não a Jiang ou a outros veteranos membros do partido.A elite partidária também não conseguiu se perfilar atrás de um líder mais jovem para suceder Hu quando seu segundo mandato terminar, em 2012. Se essa situação persistir, a política chinesa poderá tornar-se mais volátil nos próximos anos, com grupos de interesse se formando ao redor de candidatos rivais. As negociações que antecedem o Congresso matizaram quase tudo que os líderes chineses fizeram ou disseram nas últimas semanas.Autoridades emitiram novas advertências de que a China poderá empreender uma ação militar se Chen Shui-biran, o presidente de Taiwan, der prosseguimento ao seu plano de convocar um referendo sobre se Taiwan deve pedir o acesso às Nações Unidas com o nome de Taiwan em vez de seu nome legal, República da China. Líderes chineses vêem o referendo como uma tentativa às ocultas de romper os laços remanescentes entre Taiwan e a China continental, o que, segundo eles, provocaria uma resposta militar chinesa.Dirigentes do partido dizem que Hu pretende colocar Taiwan no centro do Congresso iminente. Eles dizem que Hu está tentando angariar apoio para usar a força se Chen não recuar. Mas o presidente chinês também pode esperar que a questão de Taiwan unifique o partido em torno de sua liderança num momento em que enfrenta uma pressão política de Jiang em assuntos domésticos.SUCESSÃOÉ admissível que a função mais importante do Congresso seja escolher alguém para substituir Hu. Dois líderes partidários provinciais, Li Keqiang, 52 anos, o secretário do partido da Província de Liaoning, no nordeste da China, e Xi Jinping, 54 anos, o recém-nomeado chefe do partido de Xangai, são vistos como candidatos a entrar no Comitê Permanente do Politburo e assumir os postos mais altos. Li, visto como favorito de Hu, poderá por enquanto ter de se contentar com o segundo lugar atrás de Xi, que tem forte apoio de Jiang, de acordo com várias pessoas informadas sobre a reestruturação. Todas falaram na condição de anonimato porque a China trata todas as manobras da elite política como segredo de Estado.Uma lista de candidatos discutida entre líderes partidários nos últimos dias coloca Xi substituindo Zeng Qinghong como vice-presidente e chefe do secretariado do partido, o administrador de seus assuntos do dia-a-dia. Li se tornaria o vice-premiê executivo.Ambos entrariam no Comitê Permanente do Politburo, mas Xi ficaria acima de Li por uma margem pequena - mas decisiva -, colocando na linha da sucessão de Hu como chefe do partido. Li se qualificaria ao cargo de premiê, atualmente exercido por Wen Jiabao.O chefe do partido geralmente assume os títulos adicionais de presidente do Estado e chefe da Comissão Central Militar. Isso significaria que Xi - um "principezinho" cujo pai, Xi Zhongxun, foi também um alto dirigente do partido - se tornaria o futuro líder da China.Mas analistas alertam para o fato de que Hu não havia endossado Xi como seu sucessor, deixando em aberto a possibilidade de que ainda poderia angariar apoio para Li ou deixar no ar a designação de "líder da quinta geração" - depois de Mao, Deng Xiaoping, Jiang e o próprio Hu.Alguns dirigentes do partido sugerem que isso abriria as portas para uma forma de "democracia intrapartidária", em que um grupo maior de dirigentes seniores seleciona um candidato em vez de assegurar a escolha do escalão mais alto.O sistema autoritário da China não tem uma maneira confiável para escolher futuros líderes. Depois do regime volátil de Mao, Deng Xiaoping derrubou o sucessor escolhido por Mao e se tornou ele próprio o chefe. Depois, demitiu dois sucessores escolhidos por ele mesmo antes de se decidir por Jiang e escolher Hu para suceder a Jiang.Nem Jiang nem Hu têm influência suficiente para nomear sozinhos o novo líder. Mas Jiang, que se afastou de seu último cargo oficial como chefe militar em 2004, conserva influência suficiente para vetar a escolha de Hu. Dirigentes descreveram Jiang, de 80 anos, como determinado a não dar a Hu mais influência sobre seu sucessor do que ele próprio teve na escolha de Hu.

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