China volta a condenar encontro de Obama e dalai-lama

O governo chinês condenou duramente hoje o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o dalai-lama, ocorrido no dia anterior. Um comunicado do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a reunião "prejudica seriamente" as relações bilaterais. Não foram, porém, anunciadas represálias a Washington.

AE, Agencia Estado

19 de fevereiro de 2010 | 10h17

O embaixador dos EUA em Pequim foi convocado para ouvir um protesto do governo chinês. A crítica veio após Obama demonstrar apoio aos direitos dos tibetanos, no encontro na Casa Branca com o líder espiritual exilado. A China já havia advertido várias vezes que o encontro prejudicaria a relação bilateral e pediu que ele não ocorresse.

"A ação dos EUA interfere seriamente nos assuntos internos chineses, fere seriamente os sentimentos do povo da China e prejudica seriamente as relações China-EUA", afirmou o comunicado do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. O funcionário afirma que a reunião "violou fortemente normas básicas das relações internacionais" e que os EUA devem respeitar a soberania chinesa.

Apoio

A Casa Branca planejou meticulosamente o encontro, esperando conter os protestos chineses. O dalai-lama foi convidado para uma área privada da mansão do Executivo, não para o Salão Oval. Após a reunião, o monge budista de 74 anos teve a pouco comum iniciativa de se misturar aos repórteres, dizendo a eles que estava "muito feliz" com o apoio de Obama. O dalai-lama chegou a brincar com os jornalistas, jogando um pouco de neve sobre eles.

A Casa Branca posteriormente divulgou a imagem de Obama e o dalai-lama conversando, além de um comunicado apoiando os objetivos do líder tibetano. A reunião entre os dois ganhadores do prêmio Nobel da Paz durou 45 minutos.

"O presidente demonstrou seu forte apoio à preservação da religião única do Tibete, de sua identidade linguística e cultural e à proteção aos direitos humanos para os tibetanos na República Popular da China", afirmou um porta-voz da Casa Branca. "O presidente elogiou a abordagem de ''meio-termo'' do dalai-lama, seu comprometimento com a não-violência e a busca de um diálogo com o governo chinês."

Exílio

O dalai-lama fugiu do Tibete para o exílio na Índia em 1959, após uma fracassada tentativa de golpe. Ele afirma buscar apenas mais direitos para os tibetanos, sem contestar o domínio de Pequim. O governo chinês, porém, acusa-o de tramar para dividir a China, afirmando que essa abordagem conciliatória do dalai-lama não é sincera.

O vice-ministro das Relações Exteriores da China, Cui Tiankai, convocou o embaixador dos EUA em Pequim, Jon Huntsman, para tratar do encontro. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês exigiu que os EUA tomem passos imediatos para "eliminar o impacto pernicioso" da reunião na Casa Branca.

Alguns analistas que vivem nos EUA acreditam que as críticas chinesas são mais para consumo interno, pois o país asiático não estaria interessado em atrapalhar a cooperação com a maior potência mundial.

Horas após a reunião com o dalai-lama, o porta-aviões USS Nimitz chegou a Hong Kong para uma visita. Pequim antes chegou a anunciar que cortaria os laços militares bilaterais, após a administração norte-americana anunciar no mês passado que venderá um pacote de US$ 6,4 bilhões em armas para Taiwan. A China, para quem a ilha é parte de seu território, viu a medida também como uma intromissão em seus assuntos internos.

No ano passado, Obama adiou um encontro com Obama antes de uma viagem a Pequim. Todos os presidentes norte-americanos se encontraram com o dalai-lama desde George H. W. Bush, em 1991. O dalai-lama também se encontrou com a secretária de Estado, Hillary Clinton. Após as reuniões, ele reiterou que o Tibete é parte da China. As informações são da Dow Jones.

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