REUTERS/Danish Ismail
REUTERS/Danish Ismail

China X Índia: uma disputa de fronteira que nunca acabou

Entenda o que está em jogo nos confrontos entre as duas nações nucleares na região do Himalaia

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 03h00

Ao menos 20 militares indianos foram mortos por tropas chinesas na noite de segunda-feira 15 em um confronto na disputada fronteira entre os dois países, o primeiro embate do tipo em anos, disseram militares. A violência é resultado de uma disputa de décadas entre as duas potências nucleares sobre a localização da fronteira no Himalaia. 

O que é a 'linha de Controle Real' e o que significa?

Há sessenta anos, índia e China entraram em guerra pela disputa de uma fronteira que terminou com uma trégua em 1962. Nenhuma linha de fronteira foi oficialmente negociada e estabelecida ao longo da faixa de terra sobre o Himalaia, mas a trégua estabeleceu uma Linha de Controle Real de 3.500 quilômetros. Desde então, uma paz incerta se estabeleceu. Mas toda vez que há uma faísca de violência, o mundo assiste apreensivo. 

China e Índia são as duas nações mais populosas da terra, as duas com armas nucleares, lideradas por governos que construíram sua base de apoio por meio, principalmente, de apelos a sentimentos nacionalistas. 

Nos últimos meses, as tensões entre os dois países aumentaram. Na segunda-feira, a violência alcançou índices perigosos e ao menos 20 militares indianos foram mortos por tropas chinesas. Foi a primeira vez em décadas que os confrontos deixaram mortos.

Pelo o que eles estão lutando?

Enquanto a Linha do Controle Real foi criada para criar uma demarcação e amenizar as tensões entre as duas nações após a guerra de 1962, muitas outras áreas continuam em disputa. Tanto China quanto Índia fazem pressão ao construir itens de infraestrutura, como estradas, linhas telefônicas e enviando tropas para realizar patrulhas constantes. 

A linha de demarcação passa sobre uma região chamada Ladakh, parte da Caxemira, mas localizada na região budista menos conhecida do local. Ladakh faz fronteira com o Tibet e, por vezes, é chamada de Pequeno Tibet. O território fica no caminho de importantes rotas de comércio e tem um histórico importante no mundo dos negócios. Mas isso acabou quando a China fechou as fronteiras com o Tibet e a Ásia Central nos anos 1960.

Agora,a região pouco povoada, mas incrivelmente bonita, é conhecida principalmente por ser um destino turístico. 

O que levou ao impasse atual?

Em maio, houve uma briga entre soldados indianos e chineses que ficam nas bases do Himalaia. A reação de Pequim foi rápida e contundente. Tropas chinesas confrontaram soldados indianos em diferentes pontos da fronteira ao longo das montanhas, alguns distantes 1,5 quilômetros entre si. Desde então, os dois Exércitos se apressaram em reforçar suas forças. 

Analistas indianos afirmam que a China equiparam suas forças com caminhões, escavadeiras, artilharia e veículos armados para ocupar o território indiano. E como o mundo se distraiu com a pandemia de coronavírus, Pequim tomou uma série de ações agressivas nas últimas semanas para ampliar sua força econômica, diplomática e militar. Para a Índia, as incursões chinesas em diferentes pontos ao longo da linha demarcatória aumentam as suspeitas de uma campanha para pressionar o governo de Narendra Modi.  

A faísca para as recentes tensões parece ter sido o caminho para uma base remota da força aérea que o Exército indiano está construindo através de passagens nas montanhas do vale Galwan, que, segundo analistas militares, estão dentro do território indiano. Analistas afirmam que os chineses estão determinados a frustrar os esforços da Índia para melhorar as suas posições militares. / NYT

 

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