China/Li: cumprir meta de crescimento não será fácil

O premiê da China, Li Keqiang, alertou que a segunda maior economia do mundo enfrenta "considerável" pressão de baixa. Em sua entrevista coletiva anual, Li disse que o governo está preparado "para intensificar os esforços" para apoiar a economia caso o crescimento mais lento prejudique o mercado de trabalho.

AE, Estadão Conteúdo

15 Março 2015 | 08h45

A China tem "mais ferramentas na caixa de ferramentas", se isso vier a acontecer, afirmou. Ele falou na manhã de domingo após o encerramento da sessão de 11 dias do Congresso Nacional do Povo da China.

Li disse ainda que a China tem espaço para tomar novas medidas porque se absteve de ações maciças de estímulo nos últimos anos, apesar de uma desaceleração do crescimento. Ele assinalou que os formuladores de políticas "reconhecem que há uma pressão de baixa considerável sobre o crescimento da China".

Ao conversar por duas horas com representantes da mídia nacional e estrangeira, Li abordou vários tópicos. Ele afirmou que a China e os EUA têm muitos interesses em comum, apesar das tensões, e que a China apoia a integridade territorial da Ucrânia. Também pediu punição severa para os grandes poluidores e rejeitou a ideia de que a China é uma fonte de pressão deflacionária global.

A China registrou crescimento de 7,4% no ano passado, seu pior desempenho em quase um quarto de século. No início deste mês, o país estabeleceu uma meta para 2015 de 7% em meio a sinais de demanda doméstica fraca e uma economia global ainda lenta. Também foi fixada uma meta para a criação de pelo menos 10 milhões de empregos urbanos este ano. "É verdade que temos ajustado para baixo um pouco a nossa meta do PIB, mas não será nada fácil cumprir essa meta", afirmou o premiê. Ele citou a escala da economia da China, acrescentando que um crescimento de 7% "é equivalente ao tamanho total de um país de médio porte".

Li expressou determinação em avançar nas reformas destinadas a reduzir o papel do governo chinês na economia, na esperança de estimular o crescimento. "Por mais doloroso que seja, estamos determinados a continuar até que o nosso trabalho esteja concluído." Segundo ele, durante o curso da reforma, "interesses escusos ficarão perturbados porque o governo está cortando seus próprios poderes". Li disse que a China como um todo será beneficiada. "Esta reforma, ao reduzir os poderes nas mãos do governo, nos ajudou de fato a enfrentar a pressão de baixa sobre o crescimento econômico", afirmou.

O premiê repetiu promessas de reduzir os requisitos para a aprovação de novas empresas pelo governo. Ele disse que o número de companhias privadas sendo criadas duplicou na sequência dos esforços já em curso que simplificam o processo de registro de uma nova empresa.

Li também minimizou a ideia de que a economia da China é agora maior do que os EUA em algumas medidas. Ele citou o PIB per capita da China, que ainda está atrás de outros 80 países. "A China ainda é um país em desenvolvimento em todos os sentidos do termo", salientou.

Geopolítica

O premiê também abordou a violência na fronteira da China com Mianmar. Na sexta-feira, quatro agricultores chineses foram mortos e outros nove ficaram feridos depois que uma bomba foi lançada sobre território chinês. A China culpou um avião de guerra de Mianmar, enquanto o governo de Mianmar responsabilizou rebeldes locais. "Temos a responsabilidade e a capacidade de proteger firmemente a estabilidade" e iremos proteger "vidas e propriedades" na zona fronteiriça, disse Li.

Sobre a Ucrânia, Li disse que a turbulência no país é um obstáculo para a recuperação econômica global. "Nós respeitamos a independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia", disse o premiê. Ele pediu diálogo para a resolução de problemas, mas não mencionou a Rússia em sua resposta e disse que o pano de fundo para a situação na Crimeia era complexo.

A respeito do meio ambiente, Li afirmou que o esforço de Pequim para combater a poluição "ainda está aquém das expectativas do povo". Ele pediu penas mais duras aos poluidores, dizendo que Pequim necessita de instrumentos contundentes, e "não de um cotonete".

Mercado imobiliário

Mais cedo, Li havia abordado a lentidão do mercado imobiliário chinês, que no passado foi um dos principais motores do crescimento. Li disse que a China precisa encorajar a população a comprar moradias como residências e a melhorar as suas condições de vida, mas não deu detalhes específicos sobre como isso seria feito. As vendas de casas têm enfraquecido nos últimos anos em meio ao excesso de capacidade e crescimento econômico mais lento.

Entretanto, Li ofereceu palavras de incentivo para o setor imobiliário. "A demanda habitacional na China veio para ficar", disse ele, acrescentando que o governo "espera ver um crescimento constante e sólido". Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.

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