Chinês Bo Xilai vive em limbo jurídico, dizem advogados

Dois advogados do encrencado político chinês Bo Xilai disseram na segunda-feira que não há prazo para que o seu julgamento, e que ele permanece em um limbo jurídico apesar da abertura de uma investigação formal sobre as acusações de corrupção e abuso de poder.

SUI-LEE WEE, Reuters

05 de novembro de 2012 | 11h43

Bo, que chegou a ser visto como candidato a um cargo de alto escalão na transição política deste mês na China, foi derrubado por causa do maior escândalo político em duas décadas no país.

Sua esposa, Gu Kailai, e um ex-chefe de polícia chamado Wang Lijun foram condenados à prisão por causa do escândalo ligado ao assassinato de um empresário britânico, na época em que Bo dirigia o Partido Comunista na cidade de Chongqing.

O governo acusa Bo de corrupção e de manipular a lei para acobertar o homicídio. Promotores começaram a investigar o político oficialmente no mês passado, mas ainda não apresentaram acusações formais.

Dois advogados contratados pela família de Bo, Li Xiaolin e Shen Zhigeng, disseram à Reuters que, transcorridas quase duas semanas do anúncio oficial do inquérito, eles ainda não receberam permissão para visitá-lo ou representá-lo.

Shen disse que o julgamento ficará para depois do congresso partidário que, a partir de quinta-feira, iniciará o processo de transição na cúpula do Partido Comunista, que acontece a cada década.

Ele disse, no entanto, que não sabe exatamente quando o julgamento deve acontecer.

No domingo, dirigentes partidários encerraram uma conferência a portas fechadas, tomando a decisão de expulsar formalmente Bo do partido, o que abre caminho para o processo criminal.

Li, que foi contratado em Pequim pela sogra de Bo, disse que também não tem ideia de quando o julgamento acontecerá, mas rejeitou as especulações de que o processo tramitaria na Corte Popular Suprema. "Não há indícios para isso", afirmou o advogado por telefone.

Li disse estar aguardando autorização da Procuradoria Popular Suprema para assumir oficialmente a defesa do cliente. "Sabe-se lá se aprovar ou não, precisamos ver o que dizem os escalões superiores", declarou Shen.

Promotores e juízes da China são subordinados ao Partido Comunista, então dificilmente contestarão as acusações contra Bo. O julgamento de Gu foi concluído em apenas sete horas, e o de Wang durou dois dias.

"Tudo o que posso dizer é que esperamos que ele receba um julgamento justo", disse Li.

Tudo o que sabemos sobre:
CHINABO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.