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Chineses ajudam Maduro a manter esquadrilha no ar

Chanceler venezuelano diz em Moscou que seu país está preparado para resistir e vencer na hipótese de uma ação armada americana

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2019 | 05h00

O Karakorum é um demônio, um demônio pequeno e ágil, que voa baixo e muito rápido, a alucinantes 700 km/h, a 60 metros do chão, lançando bombas, disparando foguetes, mísseis e despejando fogo com um canhão de 23mm. A China se encarregou recentemente de deixar em perfeito estado as aeronaves que havia vendido à Venezuela. Elas seriam um importante recurso para a aviação militar bolivariana caso o pior cenário – o da intervenção militar liderada pelos EUA contra o regime de Nicolás Maduro – saia do campo do discurso.

A força aérea local tem 23 desses jatos, na versão K-8W. Comprou na China um lote de 24 unidades entre 2010 e 1012. Perdeu uma em voo de treinamento. Os últimos nove jatos foram entregues há três anos, em 2016. Segundo informou à Assembleia Nacional o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, o contrato bateu na faixa dos US$ 82 milhões. Número suspeito. 

Cada avião, com suprimentos, teria saído por apenas US$ 3,4 milhões em um mercado onde os concorrentes de entrada custam, sem peças, sem armas nem componentes de reposição, a partir de US$ 9,5 milhões. O Karakorum, produzido pela Hongdu Corporation, é usado em 15 países.

O batismo em combate foi em Mianmar. Dois dias de ações aéreas no norte do território, contra posições da minoria étnica Kachin, em dezembro de 2012 e janeiro de 2013, destruíram três centros de comando, controle e comunicações dos rebeldes, mais depósitos de armas e uma estação de distribuição de energia. O K-8W é pequeno, mede só 11,6 metros, e leve, pesa cerca de 4,3 toneladas com carga máxima – uma tonelada de armamento externo, mais um canhão de 23 mm. 

Opera a até 13 mil metros e tem alcance no limite de 2,3 mil km. Voa a 800 km/hora. A capacidade acrobática em alta velocidade a baixa altura são fundamentais para atacar tropas no chão e atingir objetivos em meio a ambientes desfavoráveis, como os cenários de selva ou nas zonas urbanas de alta densidade de ocupação. O modelo é também empregado como aeronave de treinamento. O segundo assento, do instrutor, pode ser convertido em posição de um oficial de armas nas missões especializadas – ataques com bombas inteligentes, por exemplo.

Segundo agências de Inteligência estrangeiras, há um mês os 23 caças bombardeiro K-8W estão passando por revisão técnica na base de El Libertador, no Estado de Aragua. A Aviación Militar Bolivariana (AMB) teria recebido farto material para esse procedimento há um mês. 

Antes disso havia 17 jatos em condição de uso, vários limitados a voos diurnos. A versão venezuelana do Karakorum usa sistemas digitais semelhantes aos encontrados em caças pesados, supersônicos. Melhor para pilotar, vantagem na precisão.

Na segunda-feira, 6, em visita a Moscou, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, afirmou que o país está pronto para resistir no caso de um ataque militar dos EUA. “Temos uma Força Armada, um povo, uma milícia nacional, que seria capaz não só de resistir e lutar, mas também de vencer e derrotar qualquer Exército”, alertou.


 

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