Chineses celebram o Ano do Boi

Movimento de pessoas deixa sistema de transportes à beira do colapso

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2009 | 00h00

Para um quinto da humanidade, o ano-novo chegou hoje e não em 1º de janeiro. Os 1,3 bilhão de chineses pararam ontem para se despedir do Rato e dar boas-vindas ao Boi, animal que regerá este ano até 14 de janeiro de 2010, quando cederá lugar ao Tigre. Também chamado de Festival da Primavera, o feriado é o mais importante do país e provoca a maior movimentação de pessoas de todo o mundo, deixando o sistema de transportes chinês à beira do colapso.As ferrovias chinesas têm capacidade para carregar 2,8 milhões de passageiros por dia, mas no período de 40 dias antes, durante e depois do feriado esse número mais do que dobra. Este ano, a temporada do ano-novo começou em 11 de janeiro, quando o movimento diário de passageiros começou a subir - atingiu uma média de 4,5 milhões, entre os dias 14 e 16, e bateu o recorde de 5 milhões, no dia 17.Os trens vão absolutamente lotados e muitos chineses fazem viagens de até 30 horas em pé. Com os corredores tomados por passageiros, chegar ao banheiro é quase impossível, o que leva muitos passageiros a usarem fraldas descartáveis durante o trajeto.Comprar passagens de trem exige perseverança e uma espera de horas em filas intermináveis. A atuação de cambistas e uma rede de conexões e corrupção reduzem a oferta e os que conseguem passagens pela via oficial considerados felizardos.De acordo com o governo, os chineses realizarão um total de 2,3 bilhões de viagens por trem, carro, ônibus, avião e barco nos 40 dias da temporada do ano-novo - 90% das quais nas rodovias do país.Para os cerca de 150 milhões de chineses que nas últimas décadas deixaram o campo para trabalhar nas cidades - os chamados migrantes rurais -, o Festival da Primavera é quase sempre a única oportunidade de reencontro com a família. Muitos migrantes deixam filhos e mulheres nas suas vilas de origem, enquanto vagam pelo país em busca de empregos na construção civil e em fábricas que não exigem mão-de-obra qualificada. CRISECom o impacto da crise global sobre a China, aumentará neste ano o número de migrantes que ficarão em suas vilas depois do feriado, já que a oferta de trabalho nas cidades diminuirá em razão da desaceleração econômica. No ano passado, o PIB chinês cresceu 9%, o menor patamar em sete anos, e as previsões para 2009 apontam para uma modesta expansão de 6% ou 7%.Em todo o país, milhares de famílias começaram a visitar ontem as feiras para celebrar o ano-novo realizadas em parques e templos - uma espécie de quermesse chinesa, com barracas de comida, venda de quinquilharias, shows e jogos, nos quais os prêmios são imensos bichos de pelúcia.O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, decidiu passar a noite de ano-novo na cidade de Wenchuan, que foi o epicentro do terremoto que atingiu a Província de Sichuan, em 12 de maio do ano passado. O terremoto deixou cerca de 80 mil mortos e destruiu casas e a infraestrutura de milhares de vilas rurais da região.

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