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Chineses celebram o Ano do Boi nesta segunda-feira

População espera que ano seja melhor que o do rato, marcado por desastres naturais e crise financeira mundial

Agências internacionais,

26 de janeiro de 2009 | 08h48

Para um quinto da humanidade, o ano-novo chegou nesta segunda-feira, 26, e não em 1º de janeiro. Os 1,3 bilhão de chineses se despedem do Rato e dá boas-vindas ao Boi, animal que regerá este ano até 14 de janeiro de 2010, quando cederá lugar ao Tigre. O país recebeu o novo ano com fogos de artifício e celebrações, brindando a despedida de um 2008 tumultuado, marcado por um grande terremoto, os Jogos Olímpicos e uma crise econômica global.   "Adeus às nevascas de 2008, ao terremoto de 2008, à dor de 2008, à amargura de 2008. Que 2009 seja bom para você", dizia o texto de uma mensagem de ano novo enviada por celular à meia-noite, enquanto os fogos de artifício explodiam pelo céu do país. O ano do rato não foi muito bom para a China, apesar das esperanças depositadas nos Jogos Olímpicos sediados por Pequim, em agosto. Tempestades de gelo interromperam o último ano novo lunar. Em março, houve uma revolta tibetana curta, mas generalizada. No fim do ano, leite contaminado fez adoecer milhares de bebês e a desaceleração da economia causou vários cortes de empregos.   Em Sichuan, no dia 12 de maio, um forte terremoto matou mais de 80 mil pessoas. Mas os sobreviventes mostram-se fortes. "Construímos juntos uma casa nova. Não ficou tão ruim", disse Liu Shaoyun, cujo sobrinho foi morto quando seu dormitório escolar desabou em Muyuzhen, no nordeste de Sichuan. "E está um pouco frio, fazer o quê?"   Atualmente, a economia é a maior preocupação dos chineses, já que a desaceleração do mercado imobiliário local e a queda na demanda de exportações fez com que fábricas fechassem e empresas tivessem de cortar os bônus. Muitos trabalhadores migrantes, cujas remessas sustentam a economia rural, voltaram para casa para comemorar o ano novo, mas podem ter dificuldade para achar um emprego quando voltarem à cidade, no mês que vem.   Colapso nos transportes   Também chamado de Festival da Primavera, o feriado é o mais importante do país e provoca a maior movimentação de pessoas de todo o mundo, deixando o sistema de transportes chinês à beira do colapso. Oficiais reportaram que 46 pessoas foram feridas em incidentes com fogos de artifício, segundo afirmou a agência estatal Xinhua   As ferrovias chinesas têm capacidade para carregar 2,8 milhões de passageiros por dia, mas no período de 40 dias antes, durante e depois do feriado esse número mais do que dobra. Este ano, a temporada do ano-novo começou em 11 de janeiro, quando o movimento diário de passageiros começou a subir - atingiu uma média de 4,5 milhões, entre os dias 14 e 16, e bateu o recorde de 5 milhões, no dia 17. Os trens vão absolutamente lotados e muitos chineses fazem viagens de até 30 horas em pé. Com os corredores tomados por passageiros, chegar ao banheiro é quase impossível, o que leva muitos passageiros a usarem fraldas descartáveis durante o trajeto.   Comprar passagens de trem exige perseverança e uma espera de horas em filas intermináveis. A atuação de cambistas e uma rede de conexões e corrupção reduzem a oferta e os que conseguem passagens pela via oficial considerados felizardos. De acordo com o governo, os chineses realizarão um total de 2,3 bilhões de viagens por trem, carro, ônibus, avião e barco nos 40 dias da temporada do ano-novo - 90% das quais nas rodovias do país.   Para os cerca de 150 milhões de chineses que nas últimas décadas deixaram o campo para trabalhar nas cidades - os chamados migrantes rurais -, o Festival da Primavera é quase sempre a única oportunidade de reencontro com a família. Muitos migrantes deixam filhos e mulheres nas suas vilas de origem, enquanto vagam pelo país em busca de empregos na construção civil e em fábricas que não exigem mão-de-obra qualificada.     Com o impacto da crise global sobre a China, aumentará neste ano o número de migrantes que ficarão em suas vilas depois do feriado, já que a oferta de trabalho nas cidades diminuirá em razão da desaceleração econômica. No ano passado, o PIB chinês cresceu 9%, o menor patamar em sete anos, e as previsões para 2009 apontam para uma modesta expansão de 6% ou 7%. Em todo o país, milhares de famílias começaram a visitar as feiras para celebrar o ano-novo realizadas em parques e templos - uma espécie de quermesse chinesa, com barracas de comida, venda de quinquilharias, shows e jogos, nos quais os prêmios são imensos bichos de pelúcia.   O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, decidiu passar a noite de ano-novo na cidade de Wenchuan, que foi o epicentro do terremoto que atingiu a Província de Sichuan, em 12 de maio do ano passado. O terremoto deixou cerca de 80 mil mortos e destruiu casas e a infraestrutura de milhares de vilas rurais da região.   (Com Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo)

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