Chineses desconhecem caso de Gu Kailai

Um dos julgamentos por assassinato mais carregados de conteúdo político começa em Hefei, leste da China, na quinta-feira. Mas se alguém tentar conversar sobre o caso a um estudante, um taxista, um vendedor ou um florista da cidade vai descobrir que nenhum deles faz ideia de que o tribunal da cidade industrial será o centro do universo político chinês nos próximos dias.

AE, Agência Estado

08 de agosto de 2012 | 16h13

Como em outras partes do país, as conversas em Hefei giram mais sobre o sucesso chinês nos Jogos Olímpicos do que sobre o drama envolvendo Gu Kailai, que é acusada pelo assassinato de um empresário britânico quando seu marido, Bo Xilai, comandava o Partido Comunista da metrópole de Chongqing.

Como secretário-geral do Partido Comunista em Chongqing, Bo era importante, poderoso e popular. Mas a vida do casal veio abaixo pouco depois de um auxiliar de Bo buscar refúgio no consulado norte-americano, aparentemente com provas sobre o envolvimento da família do político na morte de Neil Heywood, empresário britânico que tinha negócios com Gu. Depois disso, Bo perdeu seus cargos e Gu e um funcionário da família foram acusados de assassinar Heywood.

Gu teria confessado o crime na terça-feira, segundo o Hong Kong South China Morning Post, citando uma fonte próxima ao caso. Nesta quarta-feira, Bo Guagua, filho de Gu e de Bo Xilai, enviou e-mails para meios de comunicação citando um testemunho enviado para as autoridades chinesas.

Em e-mail enviado à rede CNN, ele diz que enviou seu testemunho aos advogados de defesa de Gu por ter sido mencionado como "fator motivador" do suposto assassinado de Heywood. Mas Bo Guagua, que segundo amigos está morando nos Estados Unidos, não deu detalhes sobre o documento.

O aparato de segurança ao redor do tribunal de Hefei era relativamente escasso nesta quarta-feira, um dia antes do julgamento, quando dezenas de jornalistas se reuniam na frente do edifício. Autoridades não disseram que os repórteres terão permissão para entrar no local.

Em outro e-mail, enviado ao Wall Street Journal também nesta quarta-feira, Bo Guagua confirmou que entrara em contato com a CNN, mas não respondeu outras perguntas sobre o julgamento, que deve durar um ou dois dias, segundo especialistas, e deve resultar em condenação.

Meios de comunicação oficiais não mostram detalhes sobre a supostas disputa ou ameaça à segurança de Bo Guagua, mas detalhes devem surgir durante o julgamento.

"Eu fui citado como fator motivador para crimes dos quais minha mãe é acusada. Eu já apresentei minhas declarações como testemunha", disse ele em e-mail, segundo a CNN. "Tenho fé que os fatos falem por si mesmos", declarou.

Analistas dizem que o testemunho do filho não deve afetar o veredicto. Gu deve ser considerada culpada, segundo advogados e especialistas. Mas ela pode ser condenada à prisão perpétua em vez de ser sentenciada à morte por supostamente ter agido em defesa do filho.

Autoridades chinesas disseram em abril que Bo Xilai foi demitido de seus cargos no Partido Comunista e colocado sobre investigação por causa de "sérias violações disciplinares", acusação que não foi especificada. Ainda não se sabe se ele também será indiciado criminalmente.

Bo Guagua, que estudou na Universidade de Harvard, não disse quando, onde ou como apresentou seu testemunho sobre as acusações contra sua mãe. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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