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Chineses lideram disputa pela tecnologia 5G

Pequim quer ser pioneira na adoção da tecnologia, assim como os EUA foram em relação ao 4G há uma década, para liderar as inovações no setor e estabelecer os padrões para o restante do mundo

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2019 | 05h30

Correções: 14/07/2019 | 21h36

A quinta geração de telecomunicações sem fio, ou 5G, é o ponto mais sensível na guerra comercial entre EUA e China. Depois da reunião do G-20, Donald Trump aceitou levantar o embargo contra vendas de bens tecnológicos americanos à chinesa Huawei, líder mundial em 5G. Há pouco, porém, que possa fazer para evitar a disseminação da tecnologia chinesa.

Além de multiplicar por 20 a velocidade de transmissão de dados nos smartphones, o 5G fornecerá a infraestrutura a inovações como carros autônomos e controles digitais por inteligência artificial. “O país que dominar o 5G liderará várias dessas inovações e estabelecerá os padrões para o restante do mundo”, afirma um relatório do Departamento de Defesa (DoD) americano. “É hoje improvável que tal país seja os EUA.”

O motivo é técnico. Mais de uma década atrás, quando surgiu o 4G, os americanos foram os pioneiros na faixa de espectro depois adotada no mundo todo, e as empresas americanas consolidaram seu domínio dos mercados. Agora, a China tenta repetir a mesma estratégia. Será a primeira a estrear serviços 5G, já em 2020.

A tecnologia chinesa é mais eficiente por operar numa banda que permite maior propagação de sinal com menos antenas, a “sub-6” (inferior a 6GHz). Nos Estados Unidos, ela é reservada a militares e ao governo. Os americanos priorizam outra faixa, a milimétrica (acima de 24 Ghz).

No primeiro leilão 5G previsto para 2020 no Brasil, estavam previstas de início apenas faixas sub-6, depois foi incluída também uma milimétrica. Na maioria dos países, os leilões 5G adotaram como prioridade as bandas sub-6, dominadas pela Huawei. “À medida que o 5G se disseminar nessa faixa do espectro, os serviços e equipamentos chineses tendem a se tornar dominantes, mesmo que sejam excluídos dos Estados Unidos”, afirma o relatório do Departamento de Defesa.

- Huawei anuncia investimento de € 704 milhões na Polônia

A Polônia costumava ser uma exceção na Europa, pelo alinhamento com os Estados Unidos no conflito contra a Huawei. Uma visita do ministro do Exterior chinês, Wang Yi, a Varsóvia este mês trouxe mudanças. A Huawei anunciou investimentos de € 704 milhões, caso o país adote sua tecnologia 5G. Depois da visita, o governo soltou um polonês preso no início do ano, sob a acusação de espionagem para a China.

- Direitos LGBT tumultuam campanha polonesa

Direitos dos homossexuais tumultuam a campanha eleitoral na Polônia, que vai às urnas neste semestre. O líder do partido Lei e Justiça (PiS), Jaroslaw Kaczynski, condenou tais direitos como “ameaça”. De acordo com a Campanha Contra Homofobia (KPH), mais de 30 autoridades locais se declaram “livres da ideologia LGBT”. Bispos atacaram a moveleira Ikea por ter demitido um funcionário que negou retratar-se de um comentário tido como homofóbico. A Corte Constitucional garantiu a uma gráfica o direito a recusar encomendas de uma organização LGBT.

- Punir gays não tira países de conselho da ONU

Nem a Polônia, nem nenhum Estado europeu integra a lista dos 72 países com leis que consideram crime as relações ou a expressão de identidade homossexual. Em 13 deles, segundo o Human Dignity Trust, a pena de morte está prevista (mas nem sempre é aplicada): Afeganistão, Arábia Saudita, Brunei, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Mauritânia, Nigéria, Paquistão, Somália e Sudão. Desses 13, 7 têm assento no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas: Afeganistão, Arábia Saudita, Catar, Iraque, Nigéria, Paquistão e Somália.

- Mansão que inspirou ‘E o Vento Levou…’ vai a leilão 

Twelve Oaks, propriedade perto de Atlanta com quase 2 mil metros quadrados, 12 quartos e 12 lareiras, era o cenário que Margaret Mitchell tinha em mente quando escreveu E o Vento Levou. Deteriorada desde o século 19, não serviu de locação ao filme, mas inspirou a reconstrução de Tara em estúdio. Restaurada há dois anos, a mansão vinha sendo usada como pousada. Vai a leilão no próximo dia 25, ao lance mínimo de US$ 1 milhão.

Correções
14/07/2019 | 21h36

A versão inicial da coluna afirmava de forma equivocada que a Huawei investirá € 704 bilhões na Polônia. O investimento, na verdade, será de € 704 milhões.

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