Chipre irá negociar questão territorial com Turquia

O ministro de Relações Exteriores do Chipre, Ioanis Kasoulides, disse em uma entrevista publicada neste domingo, 28, pela revista alemã Der Spiegel que o país está pronto para conversar com a Turquia sobre uma possível reunificação da ilha.

ÁLVARO CAMPOS, Agência Estado

28 de abril de 2013 | 11h29

"Nós somos favoráveis a conversas, mas é preciso criar o clima certo. Nós também poderíamos conversar sobre o progresso nas negociações para a entrada da Turquia na União Europeia", comentou Kasoulides na entrevista. Em troca dessa abertura, o Chipre quer ter de volta a soberania sobre a cidade de Varosha. "Esse seria um gesto de confiança, para que as negociações tivessem uma chance real", explicou.

O Chipre entrou para a zona do euro em 1º de janeiro de 2008, graças ao apoio da Grécia, que ameaçou barrar a adesão de outros países se a participação da pequena nação insular fosse negada. A União Europeia (UE) tinha reservas em relação à adesão dos cipriotas em função da situação política indefinida no país. Desde 1974, quando a Turquia invadiu o terço norte da ilha, o Chipre está dividido em dois. Sua capital, Nicósia, é a única no mundo que ainda é separada por um muro.

Algum tempo após a invasão, os cipriotas turcos declararam unilateralmente a independência, formando a República Turca de Chipre do Norte (RTNC), uma entidade soberana que carece de reconhecimento internacional, com exceção da Turquia, com a qual goza de plenas relações diplomáticas. Após as duas comunidades e os países envolvidos na questão se comprometerem a encontrar uma solução pacífica sobre a disputa, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou uma "zona-tampão", a chamada Linha Verde, para evitar mais tensões e hostilidades.

Em 2004 foi realizado um referendo nas duas partes da ilha sobre um plano para unir as partes em um único país, que foi costurado pelo então secretário-geral da ONU, Koffi Annan. Entre os cipriotas gregos, 75,4% foram contra o acordo, e entre os cipriotas turcos a proposta foi aprovada por 64,9% dos eleitores. Até hoje não existe uma solução para o impasse. As informações são da Dow Jones.

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