Chirac apóia a volta da ajuda internacional aos palestinos

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, se mostrou nesta sexta-feira favorável a que o Banco Mundial administre um fundo fiduciário destinado a pagar os salários dos funcionários palestinos. Abbas apoiou a proposta feita nesta sexta em Paris pelo presidente francês, Jacques Chirac, que se comprometeu a apresentá-la aos líderes europeus e da comunidade internacional para tentar solucionar um dos fatores do bloqueio econômico imposto aos palestinos desde que o movimento Hamas chegou ao poder, em março. A ANP tem aproximadamente 165 mil funcionários, entre os quais há milhares que fazem parte das forças de segurança, cujo mal-estar por não receber seus salários poderia levar a uma situação ainda mais instável que a atual. A União Européia e os Estados Unidos anunciaram há algumas semanas a suspensão da ajuda econômica à ANP porque o Executivo do Hamas não cumpriu suas exigências de renunciar à violência e reconhecer o Estado de Israel e os acordos de Oslo assinados em 1993. Trata-se de condições "necessárias e essenciais", disse Chirac antes de se reunir com Abbas, que encerra em Paris uma viagem em que visitou anteriormente Turquia, Noruega e Finlândia. Chirac e Abbas dialogaram acerca da situação no Oriente Médio, da atitude do Hamas e da coalizão de governo que está sendo formada em Israel e que já conta com a confirmação do pacto do Kadima com os trabalhistas. Mas o eixo central da conversa foi a ajuda aos palestinos e Abbas ressaltou que sem fundos os territórios palestinos se encaminham rumo à "catástrofe". "A situação é urgente, os fundos têm que chegar o mais rápido possível", afirmou Abbas à imprensa, dizendo que aceitaria se a ajuda viesse até mesmo do Irã, mas lembrou: "Não sabemos se (Teerã) doará dinheiro ou não". Chirac deixou claro que a França defende a "ajuda técnica e humanitária aos palestinos por razões políticas e humanas" e assegurou que defenderá esta posição na UE e diante da comunidade internacional em geral, especialmente na reunião que o Quarteto de Madri (UE, EUA, Rússia e a ONU) fará no dia 8 de maio. Trata-se, segundo o presidente francês, de encontrar um modo "apropriado" para a distribuição da ajuda e que seja "justo e eqüitativo". A posição francesa defende que a ajuda seja entregue através de agências das Nações Unidas e de instituições independentes do governo palestino ou diretamente à Presidência da ANP, o que evitaria os contatos com o governo do Hamas. A estas vias de apoio se somaria a intervenção do Banco Mundial para o pagamento aos funcionários, uma idéia com que está "plenamente de acordo", segundo Abbas, mas lembrou que para isso é preciso contar com o aval político internacional e ser operacional o mais rápido possível. Em Paris, Mahmoud Abbas voltou a mostrar o lado que agrada à comunidade internacional, o do homem em quem se pode confiar para impulsionar as posições palestinas em favor do processo de paz. Abbas lembrou ao Hamas que aceitar os compromissos já assinados pela ANP e se incorporar à legalidade internacional não é uma "concessão". O presidente da ANP pediu à comunidade internacional que dê tempo para que o Hamas se adapte e possa moderar sua postura, embora por enquanto não veja "sinais claros" de que isto ocorrerá. Abbas se mostrou disposto a negociar com o novo governo israelense assim que Ehud Olmert concluir a formação do Executivo e avaliou a provável designação do líder trabalhista Amir Peretz como ministro da Defesa. No entanto, o líder da ANP pediu a Israel que não tome medidas "unilaterais" que possam prolongar o conflito e ressaltou que o Mapa de Caminho é a principal referência em que o processo negociador de pacificação no Oriente Médio deve se basear para levar ao estabelecimento de um Estado palestino.

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