Chirac aprova projeto de emprego com mudanças

O presidente Jacques Chirac sancionou nesta sexta-feira o Contrato Primeiro Emprego (CPE), a polêmica lei trabalhista que provocou uma série de protestos e greves na França nas últimas semanas, mas ofereceu algumas concessões na esperança de acalmar os protestos e greves. Em um dos pronunciamentos mais esperados de seu governo, transmitido pelas redes de TV francesas, Chirac afirmou que reduziria o período no qual os empregados podem ser demitidos sem justificativa de dois anos para um ano, e acrescentou que as empresas deverão justificar a demissão. Ao preservar o princípio que diminui a estabilidade no emprego, para os trabalhadores com menos de 26 anos, o presidente francês ficou ao lado de seu primeiro-ministro, Dominique de Villepin, que defende que a nova lei ajudará a reduzir os índices de desemprego no país. As concessões de Chirac pareceram enfurecer e não apaziguar os opositores ao contrato, que exigem que ele seja retirado, e não simplesmente modificado. "Não queremos negociar. Nós queremos tudo", disse o líder de uma das maiores associações estudantis da França, Bruno Julliard, à rede de TV TF1. "O presidente teve a chance de dar uma resposta clara, o que ele não fez", acrescentou. Os sindicatos alertaram Chirac na noite de quinta-feira, avisando que se ele aprovasse a lei, se arriscaria a gerar ainda mais tensão contra o CPE, agravando a crise social e política. O líder do sindicato Força Trabalhista, Jean-Claude Mailly, disse que greves já estão previstas para o dia 4 de abril. "Uma lei modificada não foi o que pedimos", afirmou. Antes do discurso de Chirac, centenas de estudantes reuniram-se pacificamente na praça da Bastilha, em Paris, para exigir a retirada da lei. O líder francês, contudo, disse que o desemprego entre os jovens é um problema que não pode ser ignorado e reiterou as determinações de seu governo para flexibilizar as leis para as empresas. "Chegou a hora de andar para a frente. Devemos trabalhar juntos para encerrar esta situação chocante em que as empresas, por medo de inflexibilidade excessiva, preferem recusar uma ordem ou mudar-se para o exterior do que contratar, mesmo com tantas pessoas desempregadas".

Agencia Estado,

31 Março 2006 | 15h36

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