Chirac debate coalizão internacional com Bush

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, recebeu nesta terça-feira, na Casa Branca, o presidente da França, Jacques Chirac, com quem debateu a formação de uma coalizão internacional para dar combate ao terrorismo.Antes de um jantar do qual participariam os dois líderes, Bush disse que espera "unir o mundo" na batalha contra o terrorismo e previu que "todas as pessoas que amam a liberdade" deveriam aderir.Chirac, por sua vez, disse que seu país prossegue firme ao lado dos Estados Unidos neste esforço.Uma semana após o pior ataque terrorista já sofrido pelos Estados Unidos, Bush declarou que seu objetivo é "encontrar os terroristas, expulsá-los de seus esconderijos, capturá-los e levá-los à Justiça".Para Chirac, "esta tragédia não possui nenhum paralelo. Continuamos totalmente solidários", declarou, falando por intermédio de um intérprete.No entanto, Chirac se conteve antes de utilizar o termo "guerra", utilizada por Bush."Não sei se deveríamos utilizar a palavra ´guerra´, mas posso dizer que agora estamos perante um conflito de natureza inédita", comentou.A reunião ocorre num momento no qual o governo Bush se esforça para entrar em contato com líderes de todo o mundo para orquestrar uma coalizão internacional antiterrorismo, chegando a apelar para a ajuda de Cuba e Sudão, países com os quais os Estados possuem relações tensas.Chirac foi o primeiro chefe de Estado a se encontrar com Bush desde os atentados terroristas de terça-feira da semana passada contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, em Washington.Chirac já havia manifestado em Paris integral solidariedade aos Estados Unidos e também a disposição da França de integrar uma frente internacional antiterror.Mas o chanceler francês, Hubert Védrine, vem alertando desde então, em freqüentes entrevistas, para a necessidade da produção de provas conclusivas sobre os autores dos atentados e seus eventuais hospedeiros que justifiquem um ataque militar aliado.Chirac participará da reunião da cúpula da UE, marcada para sexta-feira em Bruxelas. E, como Blair que se reunirá com Bush na quinta-feira, apresentará o resultado desse encontro aos demais colegas europeus.Além de Blair, Bush e o secretário de Estado, Colin Powell, receberão esta semana várias personalidades mundiais. Nesta quarta-feira, Bush se reunirá com Megawati Sukarnoputri, a presidente da Indonésia - maior país muçulmano do mundo -, que renovará seu apoio aos Estados Unidos.Também estará na Casa Branca o príncipe Saud al-Faisal, representante da Arábia Saudita - forte aliado dos EUA que, no entanto, apóia o regime do Taleban no Afeganistão.O rei Fahd ofereceu "total cooperação à América" na luta contra o terrorismo, porém começa a enfrentar focos de resistência da parte de setores islâmicos radicais sauditas.Os Estados Unidos concentram 6.000 soldados e vários esquadrões de bombardeiros em bases militares sauditas, prontos para desfechar um ataque - mesmo ao distante Afeganistão.Devem desembarcar em Washington ainda esta semana, o primeiro-ministro canadense, Jean Chrétien, e os ministros das Relações Exteriores de China, Rússia, Alemanha e Bélgica.

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