Chirac declara oposição a um ataque ao Iraque

O presidente francês, Jacques Chirac, insistiu hoje em afirmar que qualquer ação militar contra o Iraque tem de ser decidida pelo Conselho de Segurança da ONU, unindo-se a um coro de líderes exortando Washington a exercitar a moderação em seus planos contra Bagdá. Chirac, num discurso a embaixadores franceses em Paris, considerou "preocupante" a possibilidade de uma ação militar dos EUA, e disse que ela seria contrária "à cooperação entre Estados, ao respeito à lei e à autoridade do Conselho de Segurança". Os comentários de Chirac foram feitos no momento em que a administração do presidente americano, George W. Bush, debate sobre uma invasão ou uma campanha de bombardeios para afastar o presidente iraquiano, Saddam Hussein, do poder. Washington acusa o Iraque de estar reconstruindo instalações para a produção de armas de destruição em massa. O discurso coloca firmemente a França na lista de nações que requerem que Bush contenha seus planos de guerra. O presidente alemão pediu a Washington para promover consultas com aliados, e a Secretaria do Exterior britânica sugeriu estabelecer prazos para que Saddam permita o retorno dos inspetores. O governo iraquiano anunciou hoje estar pronto para negociações. "Ainda existe espaço para soluções diplomáticas que evitem uma guerra com os Estados Unidos", afirmou o vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, que se reuniu com autoridades sírias em Damasco, para buscar apoio à posição do Iraque. "Levamos muito a sério as ameaças americanas, por sabermos que a administração (dos EUA) é louca e criminosa", disse Ramadan antes de partir para Beirute, onde deve se reunir amanhã com o presidente libanês, Émile Lahoud. A Turquia, um aliado de longa data dos EUA, também expressou dúvidas sobre a propriedade de um ataque. Autoridades turcas, em dois dias de conversações com membros da administração Bush, sugeriram ser melhor intensificar as sanções comerciais contra o Iraque do que promover uma operação militar. O presidente francês, que em declarações anteriores expressou forte apoio a exigências dos EUA de que o Iraque aceite inspeções de armas, reiterou sua visão de que as Nações Unidas devem ser consultadas antes de um ataque a Bagdá. "Se Bagdá persistir na recusa ao retorno incondicional dos inspetores, o Conselho de Segurança terá de decidir que medidas tomar", opinou Chirac no discurso no Palácio Presidencial Elysée. Chirac não adiantou se a França - uma das cinco nações com poder de veto no Conselho de Segurança - apoiaria uma proposta de uso da força militar contra o Iraque. O discurso também indicou que o governo francês busca um equilíbrio entre seu apoio a consultas na ONU sobre o Iraque e sua simpatia com as preocupações de Washington sobre a ameaça apresentada por Bagdá. Na terça-feira, o chanceler francês Dominique de Villepin havia dito que era "inaceitável" o desafio iraquiano às leis internacionais. Mas, com a intensificação de discussões nos EUA sobre uma invasão, líderes europeus apressaram-se em pedir a autoridades do governo Bush para realizarem consultas antes de qualquer ação. O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, crítico aberto de uma invasão, adiantou que não seria "suficiente" Washington apenas oferecer aos aliados detalhes de seus planos. "Se for para as consultas serem sérias, elas têm de ser não apenas sobre como e quando, mas também sobre a questão se deve ser feito (um ataque)", teria dito Schroeder ao diário Muenchner Merkur.

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