Chirac denuncia "ditadura do rumor" e apóia Villepin

O presidente da França, Jacques Chirac, se manifestou nesta quarta-feira contra "a ditadura do rumor" e da calúnia, em um pronunciamento no qual denunciou a exploração de questões judiciais "até o ultraje" e apoiou o primeiro-ministro Dominique de Villepin.Embora não tenha citado em nenhum momento o "caso Clearstream", é a primeira vez que Chirac se pronuncia publicamente sobre esta trama contra políticos e empresários, na qual seu nome e o de Villepin foram citados como supostos responsáveis.Com seu habitual tom pausado, o chefe do Estado reafirmou sua "total" confiança em Villepin e disse que as eleições presidenciais serão realizadas dentro de um ano, como previsto.Chirac advertiu que o descrédito dos políticos estimula os extremismos e pediu que a Justiça atue "com serenidade" para chegar à verdade "o mais rapidamente possível".A referência à "ditadura do rumor" foi feita no mesmo dia em que o jornal satírico Le Canard Enchainé publicou uma informação sobre uma suposta conta bancária que Chirac teria no Sowa Bank, do Japão, com 45,7 milhões de euros.A informação foi desmentida na noite de terça-feira por funcionários do Palácio do Eliseu, que afirmaram que a acusação já circulou durante a campanha presidencial de 2001.O general Philippe Rondont, um especialista dos serviços secretos, denunciou que suas declarações feitas perante os juízes que investigam o caso têm sido usadas tranqüilamente para alimentar o escândalo na imprensa. Rondont foi encarregado por pessoas próximas a Chirac de descobrir quem estava por trás das investigações dos serviços secretos sobre a suposta conta do presidente no Japão em 2001.O caso investigado se fecha em torno de um delator anônimo que em abril de 2004 enviou ao juiz Renaud van Ruymbeke uma falsa lista dos supostos beneficiários de comissões ilegais pagas na venda de seis fragatas da Thomson a Taiwan em 2001.O Le Canard Enchainé afirma nesta quarta que o delator seria o atual vice-presidente do grupo EADS, líder europeu em aeronáutica e defesa, Jean-Louis Gergorin.Gergorin teria entregado a lista a Rondot em novembro de 2003, que estava no escritório de Villepin quando este pediu ao general que investigasse os nomes.Soube-se nesta quarta-feira que dias antes da primeira denúncia anônima chegar a Ruymbeke o vice-presidente do EADS se reuniu com o juiz para falar desta lista em segredo, com o pretexto de que temia por sua vida.Ruymbeke não escondeu sua insatisfação por ter sido "manipulado" e ter caído em uma "armadilha" contra políticos e empresários do setor armamentista, dentro de uma disputa pelo poder no EADS.Uma das "vítimas" políticas desta manobra, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, que compareceu na terça-feira perante os juízes, disse aos magistrados que quer "saber quem o colocou na lista e porquê".Pessoas próximas a Sarkozy suspeitam de Villepin, que declarou nesta quarta-feira perante o Conselho de Ministros que neste momento o que conta é o interesse dos franceses.Na próxima terça-feira o primeiro-ministro deverá enfrentar o debate de uma moção de censura dos socialistas no Parlamento, segundo anunciou o presidente do grupo socialista na Câmara dos Deputados, Jean-Marc Ayrault, que pretende apresentá-la na sexta-feira ou no sábado.

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