Chirac diz que guerra tornou o mundo mais perigoso

A invasão americana do Iraque mobilizou extremistas islâmicos e tornou o mundo mais perigoso, afirmou o presidente francês, Jacques Chirac, mantendo sua forte oposição à ação militar na véspera de uma visita a Londres, o maior aliado do presidente George W. Bush na guerra. "Não existe dúvida de que houve um aumento no terrorismo, e uma das razões é a situação no Iraque", afirmou Chirac numa entrevista à tevê BBC. "Em certo sentido, a saída de Saddam Hussein foi algo positivo. Mas ela também provocou reações, como a mobilização, em um número de países, de homens e mulheres do Islã, que fez o mundo mais perigoso", acrescentou. Apesar de sua crítica à guerra, assessores disseram que Chirac busca melhorar as relações com Washington. A questão será um dos destaques nas conversações nesta quinta-feira entre Chirac e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que tem defendido a reconciliação entre líderes europeus e o presidente dos EUA. Na entrevista, Chirac lembrou que a França e os EUA têm uma história de 200 anos de "cooperação, amizade e solidariedade". O desentendimento sobre o Iraque não "significa que nossa relação (com os EUA) esteja sendo colocada em questão", avaliou. Chirac disse que a França pretende ajudar o Iraque a "alcançar sua soberania e a desenvolver esperançosamente seu potencial", mas Paris não irá enviar tropas ao país árabe.

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