Chirac é contrário à imposição de sanções automáticas ao Irã

Em uma aparente mudança de tom na posição que a França vinha sustentado em relação às disputas sobre o programa nuclear iraniano, o presidente francês Jacques Chirac disse nesta sexta-feira que qualquer resolução sobre o caso não deve remeter automaticamente à imposição de sanções. Chirac reiterou, no entanto, seu apoio à adoção de uma resolução dura contra a nação Islâmica."Nosso objetivo é ter uma resolução que seja obedecida", disse o presidente durante uma reunião entre líderes europeus e latino americanos em Viena.O comentário de Chirac parece ter como objetivo dar apoio a posição sustentada pela Rússia e China, os dois únicos membros permanentes do Conselho de Segurança que se opõe a adoção de uma resolução que faça referência ao Capítulo 7 da Carta das Nações Unidas. A utilização do inciso abriria o caminho para a imposição de sanções ou ações militares contra Teerã."Nosso objetivo é estar em condições de impor as decisões tomadas pelo Conselho de Segurança", disse Chirac ao ser perguntado se a proposta de resolução contradiz a posição da França sobre o impasse iraniano.Oficiais franceses afirmaram que a diplomacia e as negociações multilaterais são as únicas opções para lidar com a crise nuclear.O presidente francês apontou que a resolução ainda está sendo negociada. Mas "não somos contra o fato de o Capítulo 7 ser mencionado. Ele não implica automaticamente em uso da força ou sanções", acrescentou.Mais cedo, o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, disse à repórteres que pede a todas as partes para que encontrem uma solução para o impasse. "Pedi a todos que diminuam a retórica e intensifiquem os esforços diplomáticos para encontrar uma solução", declarou."Eu peço que todos os lados estejam abertos, incluindo o Irã, para que voltemos à mesa e encontremos uma solução", disse Annan.O secretário-geral acrescentou que as negociações seriam mais produtivas se os Estados Unidos se juntassem aos países europeus nas conversas com o Irã.Washington, no entanto, recusou a proposta. "Este não é um assunto bilateral entre os EUA e o Irã", disse o embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton. "Este é um assunto entre o Irã e o mundo."

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