Chirac e Jospin pedem a Aznar que viaje ao Oriente Médio

O presidente conservador Jacques Chirac e o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, candidatos à presidência da república na França, decidiram pôr um parêntesis nas suas campanhas eleitorais. Coordenaram suas posições e lançaram um apelo a José María Aznar, primeiro-ministro espanhol e atual presidente da União Européia (UE), para que viaje aoOriente Médio e reúna-se com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e o líder palestino Yasser Arafat a fim de buscar uma saída política para o conflito.O problema é que o próprio presidente da UE tentou, sem sucesso, em quatro ocasiões, manter contato telefônico com Arafat em seu quartal-general. O primeiro-ministro queixou-se da censura israelense ao próprio Sharon, ouvindo dele a seguinte resposta: "Aznar, afinal o senhor está tentando entrar em contato com o chefe dos terroristas."Jospin anunciou a decisão do governo depois de consultar Chirac, mas acrescentou, "a título pessoal", uma proposta para o envio à região de uma força internacional de interposição e observação.Isso facilitaria o respeito à resolução 1.402 da Organização das Nações Unidas (ONU), que exige um cessar-fogo acompanhado da retirada das forças israelenses de Ramallah. Segundo o primeiro-ministro francês, "chegou o momento de o Conselho de Segurança assumir suas responsabilidades".Essa idéia que está sendo recuperada por Jospin já tem mais de um ano, segundo Chirac. A questão figurou na pauta da cúpula do G-7 em Gênova e contou com o apoio do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Contudo, ocorreram dificuldades na época para sua aplicação. Agora, é indispensável que a ONU retome a idéia que, no entanto, deve contar com a concordância das partes interessadas.Para Chirac, a viagem de Aznar só terá sentido se ele puder levar uma contribuição que possa ser aceita por ambos os lados. Na noite passada, o porta voz do governo israelense, Avi Pazner, rejeitou a possibilidade, dizendo que uma força de interposição só poderia funcionar entre duas forças armadas regulares, como ocorreu entre Israel e Egito, "e não com uma força disciplinada de um lado (a de Israel) e um bando de terroristas palestinos do outro".A posição de Chirac não difere muito da de seu adversário político, Jospin. A declaração feita pelo presidentre francês segue a mesma linha da do primeiro-ministro: "A segurança de Israel não será obtida através da força, da mesma forma que o reconhecimento dos palestinos não poderá ser obtido através do terrorismo. Só uma solução política pode acabar com a crise."No mesmo momento, os palestinos apoiavam, por intermédio do ministro da Informação, Yasser Abed Rabbo, a proposta de uma Conferência Internacional sobre o Oriente Médio, proposta por Romano Prodi, presidente da Comissão Européia, enquanto Israel rejeitou o apelo.Para o governo de Ariel Sharon essa conferencia só teria sentido depois do estabelecimento de um verdadeiro cessar-fogo entre os grupos beligerantes, o que não é o caso atual. Alem das duas partes envolvidas, de alguns países árabes e da União Européia, a Rússia também seria convidada a participar.Para Prodi, Yasser Arafat, chefe da Autoridade Palestina, deverá ter ampla liberdade de movimento para participar de tal conferência, chefiando a delegação da Palestina.

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