Chirac faz crítica velada aos EUA na ONU

Em uma velada crítica aos Estados Unidos, o presidente da França, Jacques Chirac, apelou nesta sexta-feira para o fim da pena de morte em todo o mundo, o rápido estabelecimento de uma corte criminal internacional e o fim do uso de sanções. "Nenhuma justiça é infalível... e em cada execução pode estar morrendo uma pessoa inocente", disse Chirac em um discurso na Comissão de Direitos Humanos da ONU. "E o que faremos com as execuções de menores e deficientes mentais?", indagou. Criticando os abusos dos direitos humanos em países como China, Cuba, Iraque e Irã, a chefe da delegação norte-americana na ONU, Shirin Tahir-Khlei, não respondeu diretamente às críticas de Chirac, mas declarou seu orgulho pela "preocupação profunda da América em promover os direitos humanos em todos os países do mundo, inclusive no nosso". Em seu discurso, Chirac falou da urgência de se finalizarem as regras da nova Corte Criminal Internacional, que julgará aqueles que cometem genocídios e outros crimes contra a humanidade.A administração Bush criticou o tratado - assinado pelo ex-presidente Bill Clinton em suas últimas horas no governo - e se recusa a enviá-lo ao Senado para uma possível ratificação em sua forma atual. Chirac também renovou as críticas de seu país às sanções - principalmente o embargo anglo-americano contra o Iraque. "As sanções econômicas atingem primariamente a população civil. Sanções políticas tornam os líderes mais rígidos", disse o presidente francês. Também discursaram nesta sexta-feira na comissão os presidentes da Iugoslávia, Vojislav Kostunica, do Congo, Joseph Kabila, e da Suíça, Moritz Leuenberger, e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Annan apelou por uma maior ação contra a intolerância racial e o extremismo, especialmente "as palavras de ódio e imagens desumanas" na Internet. "Políticos - democratas e ditadores - usam apelos baseados na raça para manter ou conseguir o poder", disse ele.

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