Chirac ganhou a guerra diplomática e de popularidade

A batalha diplomática chegou ao fim. O presidente Jacques Chirac conseguiu, ao lado da Rússia, Alemanha e China, impedir que a aliança anglo-americana pudesse se beneficiar do aval da ONU na sua anunciada ofensiva contra o Iraque. Esses países partem para a guerra sem o apoio internacional, mas isso poderá ter sérias conseqüências para a ONU e também para os países da "frente de rejeição", incluindo a França.Para o jornal conservador alemão Frankfurter Allgemeine, "a França recomeçou a existir politicamente", após ter desempenhado um papel maior nessa fase da crise, mesmo distanciada de seus dois parceiros tradicionais - Estados Unidos e Grã Bretanha. A imprensa britânico-americana começou ironizando as posições de Chirac, convencida de que ele não tinha meios para impor sua política, mas acabou irritada com os resultados obtidos por ele no Conselho de Segurança.Neste mês, Chirac dedicou tempo integral ao problema iraquiano. Sua arma de persuasão sempre foi o telefone.Segundo um de seus principais assessores, o empresário Jerôme Monod, o presidente foi atacado pelo que ele classificou de crise de "telefonite aguda". Os governantes dos seis países indecisos (membros do Conselho de Segurança) receberam telefonemas quase diários de Chirac para persuadi-los a evitar a guerra, tentando imunizá-los das fortes pressões americanas. O presidente francês passou dez dias pendurado no telefone, tendo como interlocutores também colegas que não integram o Conselho de Segurança. Só com o presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva, Chirac falou três vezes nos últimos dias.Ao mesmo tempo, Chirac enviou seu chanceler, Dominique de Villepin, aos países africanos. Na semana passada, ele aumentou o ritmo dos esforços, utilizando também meios de comunicação. Na segunda feira, falando na televisão francesa, ele deixou claro que utilizaria seu direito de veto, caso nova resolução britânica fosse aprovada no Conselho de Segurança. Essa decisão não era um blefe - foi adotada há mais de três semanas, e mantida em sigilo. Durante todo esse tempo, Chirac continuou utilizando sua arma preferida, o telefone. Seus aliados - o russo Vladimir Putin, o alemão Gerhard Schroeder e o chinês Jiang Zemin - foram consultados diversas vezes por dia. Também o presidente iraniano, Mohammad Khatami, até então marginalizado diplomaticamente, foi ouvido - bem como o presidente do Chile, Ricardo Lagos. A luz de seu gabinete, no primeiro andar do Eliseu, tem permanecido acesa até altas horas da noite, em virtude das diferenças de fuso horário.Com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o presidente Chirac só falou uma vez, na sexta feira, quando pretendeu apresentar nova proposta privilegiando uma solução pacífica. No plano interno, o presidente bate recordes de popularidade, tendo um aumento no índice de mais 10 pontos só nessa última semana, segundo os institutos de pesquisas.

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