Chirac hesita debater com Le Pen na televisão

O presidente Jacques Chirac ainda hesita se aceita ou não debater na televisão com Jean Marie Le Pen. Tudo estava acertado para um debate com Lionel Jospin no dia 29 de abril, mas diante da surpresa Le Pen, o presidente ainda não decidiu o que fazer. Rene Remond, presidente da Fundação dos Nacional de Estudos Políticos, adverte para o perigo desse debate, lembrando que Le Pen é um adversário perigoso e hábil em debates dessa natureza, justificando as hesitações de Chirac. O staff de Chirac também está dividido sobre a oportunidade desse debate.O candidato liberal , Alain Madelin, 3,9% dos votos e o centrista François Bayrou, 6,9%, estiveram reunidos ontem com Jacques Chirac para manifestar seu apoio ao presidente no segundo turno, mas defenderam a união das forças conservadoras nas eleições legislativas de junho, cujas manobras já foram iniciadas. Chirac reuniu-se também com sua base parlamentar, num encontro no Hotel Intercontinental e amanhã reinicia sua campanha num comício em Rennes. O apoio das forças democráticas francesas deverá facilitar a vitória de Jacques Chirac no segundo turno, já amplamente antecipada pelos institutos de pesquisas, mesmo se a credibilidade dessas empresas tenha sido fortemente abalada por não terem prevenido a tempo a chamada "bomba Le Pen". Se o pleito fosse hoje, Chirac seria eleito com uma diferença só comparada com a primeira eleição de De Gaulle, obtendo entre 77 e 80% dos votos contra 23 a 20% de Le Pen. Quanto ao candidato da extrema direita , ele só recebeu , até agora, o apoio de seu antigo número dois, Bruno Megret, o que representa muito pouco, pois só obteve 2,2% dos votos. Dessa forma, Le Pen está partindo para uma campanha supra partidária, devendo continuar privilegiando o tema da insegurança, mas também criticando a Europa de Bruxelas, o que pode diferencia-lo de Chirac e aproxima-lo de um eleitorado que não aceita essa evolução. Le Pen defendeu hoje a anulação do Tratado de Maastricht e pregou o desenvolvimento de relações bilaterais entre os países da União Européia, sem passar por Bruxelas. Porisso, numerosos analistas consideram que Chirac deverá vencer com maior facilidade, mas a candidatura que Le Pen vai crescer e não permanecerá no nível relativamente baixo que as pesquisas indicam atualmente. Logo após a eleição no dia 5 de maio, o presidente da República deverá designar um primeiro ministro que formará um governo para preparar as eleições de junho. Lionel Jospin deverá prometeu permanecer nas suas funções até essa data. Os nomes mais citados tem sido os de Nicolas Sarkozy, Jean Pierre Raffarin e o de Phillipe Douste Blazy. Na remota eventualidade de uma vitória de Le Pen, o nome mais citado pelo próprio Le Pen é o de Bruno Gollnish, deputado europeu e professor de japonês jurídico e econômico da Universidade de Lyon. Atualmente com 52 anos, diplomado pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, ele é apontado como o mais provável sucessor do "chefe".

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