Chirac já namora idéia de disputar 3º mandato

Jacques Chirac, o felizardo. Ninguém maisincomoda o presidente francês. Eleito com 82% dos votos, apoiado por uma maioria absoluta na Assembléia, ele tirou do bolso do colete um primeiro-ministro dócil, Jean-Pierre Raffarin,disposto a seguir à risca suas grandes orientações.Seus adversários políticos socialistas, comunistas e verdes foramreduzidos a um punhado de desorientados políticos e parlamentares em busca de nova liderança, desde que Lionel Jospin, pressionado pelo resultado eleitoral, decidiu abandonar a política da noite para o dia.Chirac vive uma verdadeira lua-de-mel com o poder no início de seu segundo mandato. A tal ponto que a hipótese de uma candidatura Chirac para um terceiro mandato já começa a suscitarcomentários, mesmo porque essa hipótese está prevista pela Constituição. Inicialmente um simples rumor lançado pela FigaroMagazine, hoje essa já é uma possibilidade a estudar, mesmo porque o presidente se encontra em boa forma física.Chirac deu carta branca aos ministros do Interior e da Justiça para agir na linha do que deseja grande parte da população francesa, uma política de segurança mais eficaz. Os dividendos do êxito serão seus, mas o eventual fracasso de umapolítica repressiva será contabilizado para os ministros da área.No plano externo, ele despachou seu ministro do Exterior, Dominique de Villepin, para os confins da África e do Oriente Médio, onde repete uma mensagem equilibrada e de paz, contrastando com o espírito guerreiro do presidente George W.Bush.Por isso, cada vez mais ele tem sido procurado por seus colegas europeus e dirigentes de outras nações. Na quarta-feira, jantou no Palácio do Eliseu com o recém-reeleito chanceleralemão, Gehard Schroeder, colocado na geladeira por Washington ao não querer aderir à ofensiva contra o Iraque. Chirac poderá agir como mediador entre Berlim e Washington, aproveitando a mais equilibrada posição francesa. Na manhã seguinte, recebeu o ex-presidente Bill Clinton, de passagem por Paris, para o caféda manhã.A redução de 30% dos impostos nos próximos cinco anos, uma promessa de campanha, pode ficar para mais tarde diante de uma crise econômica internacional cada vez mais grave. Os grandesajustes econômicos previstos pelo pacto de estabilidade europeu ficam para o final de 2006.Ele pretende nesses cinco anos apagar a divisãoesquerda-direita que tanto tem marcado a vida política francesa. Na África do Sul, na conferência Rio+10, já se apresentou comoum superverde, campeão da defesa do meio ambiente.

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