Chirac minimiza perigo nuclear do Irã, mas depois volta atrás

O presidente da França, Jacques Chirac, disse que não seria muito perigoso se o Irã tivesse uma bomba nuclear, mas depois retratou-se da declaração, segundo entrevista com dois jornais dos Estados Unidos e uma revista francesa publicados nesta quinta-feira. Chirac falou nesta semana a repórteres do New York Times, do International Herald Tribune e da revista Le Nouvel Observateur. Em comentários iniciais, disse que Teerã seria arrasada se o Irã lançasse um ataque nuclear contra Israel. Um dia depois, ele telefonou para os três repórteres, disse que pensou que estava falando em "off" (informalmente, sem caráter de entrevista) e retirou grande parte das declarações, contaram os jornalistas. O IHT e o New York Times disseram que Chirac, 74, parecia distraído em muitos momentos e teve dificuldades em se lembrar de nomes e datas na primeira entrevista, mas que estava mais alerta no dia seguinte. "Eu diria que o perigo nesta situação não é o fato de ter uma bomba nuclear - ter uma, talvez uma segunda um pouco depois, bem, isso não é muito perigoso", disse Chirac na primeira entrevista, segundo as publicações. As declarações contradizem a posição oficial da França e de seus aliados - Grã-Bretanha, EUA, Rússia e China -, que estão pressionando Teerã a abandonar atividades nucleares. De acordo com Chirac, o principal perigo é que outros países na região, como Arábia Saudita e Egito, sigam o Irã. "O que é muito perigoso é a proliferação", observou. Ele acrescentou que o Irã seria arrasado se usasse uma arma nuclear. "Onde vai lançar esta bomba? Em Israel? Não chegaria a 200 metros na atmosfera antes que Teerã fosse arrasada", disse Chirac, segundo os repórteres. No dia seguinte, o presidente francês mudou o discurso. "Eu retiro isso, é claro, quando disse que ´alguém vai destruir Teerã"´, relatou o New York Times. Chirac também retirou sua previsão de que um Irã nuclear incentivaria a Arábia Saudita e o Egito a construírem bombas. "Retiro isso, é claro, porque nem a Arábia Saudita nem o Egito fizeram quaisquer declarações próximas destes assuntos, então não cabe a mim fazê-las." Segundo o IHT, Chirac afirmou que "errei e não quero contestar...deveria ter prestado mais atenção ao que estava dizendo e entendo que talvez estivesse sendo gravado". Chirac está próximo do final de seu segundo mandato e disse que anunciará no fim de março se concorrerá na eleição de abril ou maio. Sua saúde é tema de debate.

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