Chirac obtém maioria na Assembléia Nacional

Os franceses confirmaram hoje a tendência européia atual votando maciçamente nos partidos conservadores e liberais e oferecendo ao presidente Jacques Chirac uma confortável maioria parlamentar na Assembléia Nacional. Esse é o resultado da alternância democrática no país, iniciada em maio com a eleição de Chirac, provocando uma vaga azul representada pela direita clássica francesa que substitui a antiga maioria de esquerda, eleita em 1997, quando uma onda cor de rosa tomou conta do país, impondo o sistema de governo da coabitação e que prevaleceu nesses últimos cinco anos. Mais uma vez foi batido o recorde de abstenção no país, 38,5% contra 36% no último pleito, a taxa mais elevada da história da V República.A direita clássica elegeu 399 deputados, sendo que a UMP , União para a Maioria Presidencial garantiu sozinha a maioria absoluta ( 289 cadeiras ) devendo ocupar 376 das 577 cadeiras no parlamento, contando também com outras 23 do partido aliado, a UDF, União para Democracia Francesa. A coalizão de esquerda, reunindo socialistas, verdes e comunistas só obteve 178 cadeiras. Os socialistas continuam mantendo a hegemonia junto as forças de esquerda com 155 deputados eleitos, enquanto os comunistas com 20 deputados alcançam o teto mínimo , o que lhes permite continuar como grupo parlamentar . Quanto aos verdes, eles só conseguiram eleger três deputados, perdendo quatro cadeiras no parlamento. A extrema direita , representada pela Frente Nacional de Jean Marie Le Pen não elegeu, como se previa, nenhum deputado , o mesmo ocorrendo com os dois partidos da extrema esquerda, a Liga Comunista Revolucionária e Luta Operária. Apesar dessa vitória da direita clássica no conjunto do país, em Paris, a aliança de esquerda não só resistiu bem a vaga azul, mas registrou progressos passando de 9 a 12 deputados, entre eles um dos candidatos verdes, Yves Cochet. Os partidos de esquerda perderam, em relação a bancada anterior, 140 cadeiras.Agora, com esse resultado eleitoral , o presidente Chirac que reúne quase todos os poderes no país, a presidência da república, chefia do governo, maioria na Assembléia e no Senado, terá condições para aplicar seu programa de governo como afirmou o primeiro ministro Jean Pierre Rafarrin: " O projeto de Jacques Chirac obteve sua maioria. Vamos assumir nosso dever de ação e temos a obrigação de não decepcionar. Nos próximos dias, as condições da ação serão determinadas pelo presidente". A partir de hoje, com um partido forte do presidente, a UMP, de um lado e um PS que resistiu melhor do que seus coligados no outro, os dois controlam a grande maioria das cadeiras na Assembléia Nacional, a França entra numa nova configuração política, a da bipolarização partidária, de certa forma encarnando melhor o espirito da V República francesa que muitos analistas chegavam a considerar fortemente ameaçada nos últimos três meses. Entre as principais personalidades derrotadas cita-se a ex-ministra do Trabalho e dos Negócios Sociais, Martine Aubry. Trata-se de uma das principais responsáveis pela implantação do projeto das 35 horas de trabalho no país, tida como uma das candidatas favoritas para as funções de chefe do governo, caso Lionel Jospin tivesse sido eleito presidente da república. Outro derrotado foi o ex candidato do Polo Republicano, Jean Pierre Chevenement, que rompeu com o PS e cuja candidatura a presidente muito contribuiu para a derrota do candidato Jospin. Deputados desde o inicio dos anos 90 em Belfort , ele não só foi derrotado no seu distrito eleitoral, mas seu movimento também não elegeu nenhum deputado. Também a verde, Dominique Voynet, foi derrotada.O primeiro secretário do PS, François Holande, conseguiu salvar sua cadeira, depois de uma forte pressão do presidente Jacques Chirac que enviou na ultima semana da campanha o primeiro ministro Rafarrin , mas também sua mulher , Bernadette Chirac, para tentar derrota-lo no seu distrito. Ele foi eleito com mais de 52 % dos votos, tendo conseguido afastar o fantasma de perder a direção do partido, caso tivesse sido derrotado. Outros dirigentes importantes do PS conseguiram se eleger como o ex ministros Laurent Fabius, Jack Lang, Segolene Royal, e Jean Glavany. Praticamente todos os ministros do governo atual foram eleitos hoje. Com esse resultado, a França encerra o ciclo eleitoral iniciado no dia 21 de abril , data do primeiro turno da eleição presidencial. O PS inicia imediatamente , segundo seu primeiro secretário, François Holande, o processo de reconstrução das forças de esquerda do país.

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