Chirac ordena o envio imediato de tropas para o Líbano

O presidente francês, Jacques Chirac, disse nesta quinta-feira que a França irá dobrar seu contingente nas forças de paz da ONU no sul do Líbano (Unifil) para 400 soldados, respondendo às "necessidades urgentes" do Exército libanês enquanto este é deslocado para a região.A declaração anunciada pelo gabinete presidencial veio após uma conversa entre Chirac e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e parece deixar em aberto a possibilidade de uma mudança nos planos franceses. A França atualmente comanda a Unifil com um contingente de 200 homens.Os 200 soldados franceses devem chegar ao Líbano já no início da próxima semana. Não está claro, no entanto, qual será o tempo de permanência do contingente no país.De acordo com comandante da Finul, o general francês Alan Pellegrini, "a nova Finul será diferente da antiga, que já morreu, pois será mais forte e terá mais efetivos e novas regras". Segundo o porta-voz do ministério da Defesa francês, Philippe Tanguy, o envio das tropas "não compromete a França de nenhuma maneira" seu involvimento de longo-prazo com a força de paz."É uma questão de pragmatismo", disse Tanguy, que também pediu que as conclusões acerca do anúncio não sejam precipitadas. Ou seja, mais soldados podem ser enviados futuramente, mas qualquer decisão caberá a Chirac.O presidente francês, por sua vez, disse a Annan que a França está pronta para liderar a força de paz reforçada que trabalhará com os cerca de 15 mil soldados libaneses enviados para estabilizar o sul do Líbano depois de mais de um mês de violência entre soldados israelenses e militantes do Hezbollah.ONU define mandatoUm plano para as forças de paz deve ser apresentado em Nova York ainda nesta quinta-feira para definir que países irão compor as forças de paz, que devem ganhar um reforço de 13 mil homens, passado dos atuais 2 mil para 15 mil.A França também está preparada para manter os 1.700 soldados que foram mobilizados para retirar os cidadãos franceses do Líbano durante o início dos combates.França e a Itália - outro país europeu com potencial para enviar tropas - afirmam que o mandato das forças de paz não são explícitos o bastante, e pediram que a ONU estabeleça regras claras para o empenho das tropas. Os dois países dizem querer mais detalhes para empenhar formalmente seus soldados. A Itália informou que pode contribuir com 3 mil soldados.A Alemanha, por sua vez, informou nesta quinta-feira que não enviará soldados para a região, embora esteja disposta a oferecer assistência naval para ajudar a proteger a costa do Líbano.Etapa históricaSegundo o representante especial do secretário-geral da ONU para o Líbano, Geir Pedersen, o envio de 15 mil soldados do Exército libanês e de vários outros da ONU para o sul do Rio Litani representa "uma etapa histórica baseada na união nacional" do Líbano.Ele também afirmou que "é muito boa" a cooperação entre os soldados libaneses que chegaram hoje ao sul e os 2.000 da Finul que estão na região.O Exército israelense entregou nesta quinta-feira às forças da ONU várias posições ao sul do Litani que ocupou durante sua ofensiva, pois os militares libaneses e israelenses chegaram a um acordo para que os segundos se retirem de forma gradual e que cada posição desocupada seja entregue à força internacional.

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