Chirac pune militar torturador

O presidente francês, Jacques Chirac, criticou nesta sexta-feira o general Paul Aussaresses, de 83 anos, que admitiu sem remorso algum ter torturado e assassinado vários argelinos durante a Guerra da Argélia, há 40 anos. Aussaresses revelou as atrocidades no livro Services Spéciaux, Algérie 1955-1956 (Serviços Especiais: Argélia 1055-1957) e em uma entrevista ao Le Monde publicados esta semana. Também disse que a tortura foi "eficiente" e sua consciência estava limpa. Contudo, Chirac, que se declarou "horrorizado", disse que "deve vir à tona toda a verdade sobre esses atos injustificáveis", insinuando que a França poderia fazer um exame público da guerra de quase oito anos que acabou em 1962 com a independência da Argélia, então colônia francesa. O presidente francês ordenou a suspensão da condecoração da Legião da Honra de Aussaresses e pediu ao ministro da Defesa, Alain Richard, que proponha uma eventual ação disciplinar. Também exortou os historiadores a aprofundarem as investigações sobre esse período, estudando os arquivos que foram postos à disposição pela primeira vez no mês passado. A Liga de Direitos Humanos entrou nesta sexta-feira com um processo por "apologia de crimes e crimes de guerra" contra Aussaresses, que foi chefe dos serviços militares de informação em Argel durante parte da guerra e admitiu ter matado pessoalmente 24 argelinos. Em entrevista publicada quarta-feira pelo Le Monde, o general disse que comandou algo equivalente a um esquadrão da morte e declarou: "A tortura é eficiente. A maioria das pessoas cede e fala. Depois, na maioria das vezes, as matamos."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.