Chirac quer dialogar com estudantes sobre lei polêmica

O presidente francês Jacques Chirac declarou que o governo está pronto para dialogar e pede por negociações imediatas entre o governo, estudantes e associações para que se interrompam as manifestações e enfrentamentos com a policia contra o polêmico projeto do governo francês, o "Contrato Primeiro Emprego" (CPE). Aproximadamente 250 mil pessoas saíram às ruas em cerca de 200 manifestações espalhadas pela França ontem, num teste de força entre os jovens e o governo de Chirac. Um total de 272 pessoas foram detidas, sendo 187 in Paris, e 92 policiais e 18 manifestantes ficaram feridos, disse o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy. Os manifestantes atiraram pedras, coquetéis Molotov, garrafas e fizeram barricadas de metal, mesas e cadeiras retiradas de restaurantes e cafés. A polícia respondeu com um canhão de água, bastões e gás lacrimogêneo. A revolta é dirigida à nova forma de contrato trabalhista defendida pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin, que permite que os empregadores demitam jovens empregados há menos de dois anos sem explicar as razões e sem o pagamento de benefícios. Villepin é visto como o sucessor natural de Chirac nas eleições presidenciais de 2007. Para Jean-Louis Borloo, ministro do Bem-estar Social, empregadores "obviamente deveriam justificar" qualquer demissão. Chirac disse que está é "uma importante medida para lutar contra o desemprego", e afirmou que os novos contratos "irão criar mais novos postos de trabalho para os jovens que hoje são deixados em grande escala fora do mercado". O desemprego chega hoje a 23% dos jovens franceses, e esse número dobra em alguns subúrbios. O CPE é uma das respostas do governo aos violentos protestos que perduraram em outubro do ano passado na França, mas estudantes temem que a medida irá prejudicar as já existentes proteções laborais, que dificultam que funcionários sejam demitidos. Villepin também declarou que estava "aberto ao diálogo (...) para melhorar o CPE", mas não demonstrou sinais de que iria revogar a medida, como pedem os manifestantes.

Agencia Estado,

17 Março 2006 | 12h24

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