Chirac se vinga de ex-premier do qual foi padrinho político

O ex-primeiro-ministro francês, Edouard Balladur, está pagando um elevado preço por ter optado, no passado, pela ruptura com seu padrinho político e responsável por sua escolha para as funções de chefe do governo, o presidente Jacques Chirac. Hoje, sem o apoio do presidente, ele perdeu a batalha pela presidência da Assembléia Nacional, terceira função mais alta na hierarquia da república. O eleito foi o gaullista histórico, Jean-Louis Debré, filho do ex-primeiro-ministro Michel Debré, apoiado por Chirac e pelo chefe do governo, Jean-Pierre Raffarin. Ele obteve 342 votos, maioria absoluta, mas só no segundo turno do escrutínio.Em 1995, Balladur aceitou ser candidato à presidência da república contra Chirac, convencido da derrota do adversário. Mas Chirac não só se elegeu naquela época, como se reelegeu recentemente. Desde então, o presidente vem bloqueando todas as pretensões políticas de seu antigo primeiro-ministro. Balladur, que foi um dos inspiradores do grande partido do presidente, a União da Maioria Presidencial (UMP), imaginava que o episódio estivesse superado e iria se reaproximar de seu ex-amigo. Afinal, sete anos se passaram e seu companheiro de contestação da liderança política de Chirac hoje é ministro do Interior e segundo homem do governo. Nicolas Sarkozy já não havia escondido também sua decepção quando, após as eleições presidenciais, perdeu o lugar de primeiro-ministro para Raffarin, mas aceitou de bom gosto o importante Ministério do Interior. Balladur, um homem com traços aristocráticos, apesar de sua família ser de origem turca, tinha certeza de que Chirac o havia perdoado.MágoaMuito recentemente, durante campanha presidencial, foi Balladur o organizador do maior comício do candidato Chirac em Paris. Mas, se o presidente tivesse esquecido a humilhação do passado, quando Balladur e Sarkozy insistiam na televisão em pedir que ele desistisse da candidatura por falta de condições eleitorais, a mulher de Chirac, Bernadette, e sua filha, Claude, se incumbiram de manter sua memória bem viva.Apesar de preterido, Balladur se manteve como candidato livre, submetendo-se ao voto do plenário. No primeiro turno da votação, o candidato oficial da UMP, Jean- Louis Debré, obteve 217 votos (eram necessários 289 para a maioria absoluta). Balladur obteve 163 votos, enquanto a candidata da oposição, a socialista, Paulette Guinchard-Kunstler, reuniu 143 votos de seu partido, e a comunista Muguette Jaquaint, 21 votos. Imediatamente após, Balladur anunciou a retirada de sua candidatura, o que permitiu uma eleição tranqüila de Debré.O fato de Balladur não ter sido eleito não chega a representar, entretanto, uma grande derrota política. Longe disso, pois sua votação obtida com os deputados da nova maioria parlamentar, UMP e União Democrática Francesa (UDF), foi acima do esperado, 163 votos, o que garante a possibilidade de esse grupo constituir uma importante corrente no interior do partido do presidente. Anteriormente, quando da eleição municipal, o mesmo já havia ocorrido quando os conservadores e liberais da União pela República (RPR) e UDF tiveram que escolher o candidato à prefeitura de Paris. O peso político de Chirac impôs a candidatura de Philippe Séguin em detrimento de Edouard Balladur. Essa divisão da direita acabou facilitando a vitória do socialista Bertrand Delanoë, atual prefeito de Paris.

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