Chirac só irá à ONU acompanhado de outros líderes

O presidente francês, Jacques Chirac, só irá a Nova York participar da reunião do Conselho de Segurança da ONU, onde poderá usar seu direito de veto contra a segunda resolução dos EUA sobre o Iraque, se outros chefes de Estado e de governo decidirem acompanhá-lo. Por enquanto, entre os países que procuram evitar o conflito militar, só o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, confirmou presença. Ele disse que a França pode contar com a Alemanha, que apóia inteiramente sua posição. Os demais - entre eles o presidente russo, Vladimir Putin - mantêm-se silenciosos sobre essa viagem, apesar de o chanceler russo, Igor Ivanov, ter brandido pela primeira vez a ameaça do veto e reafirmado que seu país votará contra toda resolução propondo o uso da força contra o Iraque.Hoje, em rede de TV, Chirac explicou longamente a posição de seu país, dizendo que tudo vai depender das atuais discussões, mas "evidentemente não irá sozinho" e lembrando ter sido o autor da proposta. Como se trata de decidir sobre guerra ou paz, para Chirac, pareceu-lhe mais legítimo que essa decisão fosse adotada pelos chefes de Estado pessoalmente. "Nesse momento, nenhuma decisão definitiva foi tomada", disse.Para Chirac, a resolução americana dando sinal verde à guerra ainda não havia reunido a maioria de nove votos no Conselho de Segurança. Todo esforço do presidente francês se concentra na tentativa de derrotar a nova resolução anglo-americana no Conselho ou evitar sua apresentação, pois, nesse caso, não haveria necessidade de recorrer diretamente ao veto.Também se ocorrer uma mudança nas próximas horas favorecendo a resolução americana, a França, segundo Chirac, continuará votando contra, "seja qual for a evolução" da situação. Chirac deixou claro que o voto contrário de um dos cinco membros permanentes do Conselho corresponde a um veto explícito.Chirac não parece preocupado com eventuais represálias de natureza econômica nos EUA e afirmou conhecer muito bem esse país liberal, onde não é o Estado quem decreta as sanções. A seu ver, no máximo, só poderão ocorrer "reações epidérmicas".Também o chanceler alemão disse não acreditar em sanções econômicas e comerciais e advertiu que não pretende inclinar-se a eventuais pressões. Lembrou que França e Alemanha são países amigos dos EUA, acrescentando que "amizade é também uma forma de suportar divergências".Chirac revelou que no caso dos EUA agirem unilateralmente, não devem esperar da França nenhum tipo de cooperação militar, até mesmo logística. Quanto à participação francesa na reconstrução do Iraque, Chirac disse que essa tarefa caberá à ONU e todos os países que dela fazem parte. Seu país continua privilegiando o desarmamento pacífico, por meio das inspeções que têm progredido.A seu ver, "o desarmamento supõe transparência e as ditaduras não resistem a isso", prevendo também o fim do regime de Bagdá, mas por meios diversos aos propostos pelos americanos. Ele reconheceu e condenou a ditadura iraquiana, mas lembrou que existem outros regimes que se encontram na mesma situação, citando a Coréia do Norte. Sobre esse país, segundo o presidente francês, não pesa a dúvida, mas sim a certeza de que possui armas de destruição em massa.

Agencia Estado,

10 de março de 2003 | 19h34

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.