Chirac sugere dar "vários meses" aos inspetores no Iraque

O presidente da França, Jacques Chirac, deu a entender que é favorável a prorrogar por vários meses o trabalho dos inspetores da ONU que buscam armas de destruição em massa no Iraque. Em entrevista à emissora de televisão France-2, Chirac se disse favorável ao pedido de mais tempo feito pelos chefes das equipes de inspetores da ONU. Indagado sobre se é a favor de uma prorrogação de algumas semanas ou vários meses, o presidente respondeu que o chefe dos inspetores de armas nucleares, Mohamed ElBaradei, "pediu por vários meses". A França é um membro permanente do Conselho de Segurança, com direito a voto. China, com cadeira no Conselho, também se opõe abertamente ao conflito. Mas não é apenas no exterior que o plano do presidente George W. Bush para tirar Saddam Hussein do poder no Iraque vem perdendo apoio. Um coro crescente, dentro dos EUA, de políticos e especialistas em relações internacionais ganhou espaço nos últimos dias, respaldado por pesquisas de opinião que mostram o crescente ceticismo dos norte-americanos diante da estratégia belicosa da Casa Branca.Nada menos de sete entre cada dez norte-americanos acham, assim como Chirac, que os inspetores de armas das Nações Unidas deveriam ter mais tempo para completar seu trabalho, segundo uma sondagem do jornal Washington Post e da rede de televisão ABC divulgada hoje. Perto de metade, ou 43%, disse que os inspetores devem ter o tempo que for necessário. Cerca de um quarto está disposto a dar-lhes "alguns meses" e apenas um quarto estipularia um prazo final mais apertado, de "umas poucas semanas".Os norte-americanos estão divididos ao meio sobre se Bushapresentou provas suficientes contra Saddam para justificar umaação militar para desarmá-lo, o que significa, na prática,remover seu regime do poder em Bagdá. Mais da metade, ou 58%, gostariam de ver mais provas, e mais de dois terços, ou 71%, querem que o governo torne público o que sabe se os inspetores das Nações Unidas não encontrarem provas concretas de que Saddam possui armas de destruição em massa.As dúvidas dos norte-americanos sobre a guerra contra o Iraqueaumentaram rapidamente nos últimos 30 dias. A proporção dos que aprovam a maneira como Bush vêm conduzindo a questão encolheu de 58% para 50%, enquanto as opiniões negativas aumentaram de 37% para 46% desde meados de dezembro.Um outro dado importante da pesquisa é que o ceticismo dopúblico sobre a necessidade de se desencadear uma guerra contrao Iraque é acompanhado por um claro descontentamento dosnorte-americanos quanto aos rumos da economia. Pela primeira vez desde que Bush assumiu a presidência, uma proporção majoritária de 53% eleitores desaprova a maneira comoele vem conduzindo a política econômica. Por margens aindamaiores, os americanos manifestaram-se contrários à mais recenteproposta de redução de impostos apresentada pelo presidente.Na questão do Iraque, a sondagem mostra que a opinião públicados EUA está mais em sintonia com a posição expressa no inícioda semana pela França do que com a administração Bush. O governo francês indicou que usará seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para brecar qualquer resolução de apoio à ação militar contra o Iraque se os inspetores não tiverem o tempo que julgarem adequado para cumprir a tarefa de que foram incumbidos pela organização mundial.

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