Chocados, moradores tentam voltar à rotina

Maioria das testemunhas ainda evita falar com os jornalistas sobre as cenas de horror

Andrei Netto, WINNENDEN, ALEMANHA, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

Pouco após o massacre, Winnenden parecia uma cidade fantasma. Seu comércio permanecera fechado. Nas ruas, não havia trânsito de veículos, nem de pedestres. No pub D-Zugle, situado em frente da estação de trens da cidade, apenas o som da TV quebrava o silêncio de uma dezena de frequentadores. Só em torno da escola de Albertville, por ironia, parecia haver vida, provocada pela romaria de moradores comovidos e por jornalistas discretos.Ontem, as mesmas ruas estavam repletas de consumidores e comerciantes. Alguns sorrisos já se abriam e, nas imediações do colégio, uma multidão de jornalistas de todo o mundo disputava testemunhos.No intervalo de 12 horas, a escola de Albertville transformou-se de um local de introspecção em um parque. Em meio a pessoas que queriam prestar solidariedade, adultos e adolescentes - a maior parte sem relação com a escola ou com as vítimas - mostravam-se dispostos a conversar com os jornalistas. Até a passagem de carros fúnebres a 500 metros da escola não foi notada. "Não conhecemos ninguém envolvido. Viemos para ver o local da tragédia", disse ao Estado a mãe de uma adolescente, ambas da vizinha cidade de Waiblingen.Raros foram depoimentos valiosos concedidos à imprensa ontem. O relato mais profundo foi obtido pela revista Der Spiegel. Protegida pelo anonimato, uma menina de 14 anos narrou os minutos de desespero que vivera. Aluna de uma classe atacada por Tim Kretschmer, a adolescente descreveu sua professora ferida no braço, uma colega tendo espasmos após ser atingida e o sangue que se espalhava pela sala. O rico testemunho, entretanto, foi uma exceção. Longe das câmeras, os corpos das vítimas - cujos nomes não foram revelados pela polícia, mas por veículos de imprensa popular - eram velados e sepultados.A polícia alemã evita relatar como foi o crime. Sobre o maior número de mulheres assassinadas na escola - 11 das 12 vítimas -, Konrad Jelder, chefe de polícia, disse que não podia afirmar se se trata de uma obsessão do assassino, ou de uma triste coincidência. "Nas salas de aula atacadas, meninas estavam sentadas mais ao fundo, próximas à porta. Talvez seja esta a explicação."

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