Choque entre desempregados e polícia na Argentina

Centenas de desempregados entraram mais uma vez em violentos choques com a polícia na província de Salta, no empobrecido norte da Argentina.Há 23 dias que os desempregados bloqueavam com piquetes a estrada nacional número 34, pedindo trabalho e comida. No fim do dia, a polícia havia conseguido remover os desempregados da estrada.A Gendarmeria Nacional, corpo policial especializado na vigilância de fronteiras, mas também na repressão de manifestantes, tentava nesta segunda-feira impedir que os manifestantes tomassem a refinaria de petróleo Refinor na cidade de General Mosconi, nas proximidades da cidade de Salta, capital da homônima província.Os desempregados colocaram fogo nas árvores ao redor da refinaria.Mais de 600 gendarmes reprimiram os desempregados com balas de borracha e gás lacrimogênio. No fim de semana, a polícia matou dois manifestantes e feriu outros trinta. O governo argumenta que os desempregados estão armados, e que entre eles existem diversos franco-atiradores.No centro de Buenos Aires, militantes de partidos de esquerda protestaram contra a repressão e as mortes dos desempregados na frente da Casa de Salta, a representação da província na capital argentina. Os manifestantes também entraram em choque com a polícia.Esta é a terceira vez que desempregados realizam piquetes na estrada número 34 em menos de um ano. O conflito em Salta coincide com o anúncio, por parte do governo, de medidas para reativar a economia.A recessão já dura quase três anos, e poucos economistas vislumbram que ela possa terminar antes do fim do ano, como o governo promete.O estancamento da economia e a falta de sinais de que a recessão está no fim ficaram evidentes neste fim de semana, quando os argentinos comemoraram o Dia dos Pais (segundo domingo de junho).A Coordenadoria de Atividades Mercantis Empresariais (CAME) anunciou que as vendas de presentes para este dia tiveram uma queda de 10% em relação ao mesmo dia do ano passado.

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