Choque entre Exército e cristãos paralisa o Cairo

Ao menos 24 pessoas morrem na capital egípcia durante repressão militar a uma manifestação

CAIRO, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2011 | 03h03

Confrontos entre cristãos e tropas militares deixaram pelo menos 24 mortos e mais de 200 feridos no Cairo, na noite de ontem, segundo o Ministério da Saúde egípcio. Veículos do Exército foram queimados. Os cristãos protestavam contra um ataque a uma igreja copta na capital na semana passada em Aswan, sul do país.

"Esse é o nosso país", gritava o grupo. Segundo os manifestantes, a intenção era fazer uma vigília pacífica na frente da sede da emissora de TV estatal, à beira do Nilo. O grupo teria sido primeiro atacado por pessoas vestidas como civis, que atiraram pedras contra os manifestantes. Não ficou claro quem eram os agressores.

Os militares tentaram então desmobilizar o grupo cristão usando bombas de gás lacrimogêneo. Os confrontos se espalharam para os arredores da Praça Tahir, onde os protestos da primavera árabe se concentraram, e atraíram outras milhares de pessoas. "Pretendíamos apenas ficar sentados no local (sede da TV)", disse Essam Khalili, vestindo uma camiseta branca com o desenho de uma cruz. "Mas bandidos nos atacaram e então um veículo militar avançou sobre pelo menos 10 pessoas na calçada."

Segundo Khalili, os manifestantes contra-atacaram. Testemunhas relataram que pedras, garrafas e bombas caseiras foram jogadas nos soldados. Manifestantes teriam conseguido roubar armas e atiraram contra os militares. A TV estatal mostrou imagens de um soldado sendo atacado, enquanto um padre tentava protegê-lo.

A minoria copta acusa os militares, no poder no Egito desde que o ex-ditador Hosni Mubarak foi deposto, em fevereiro, de serem tolerantes com criminosos que atacam constantemente alvos cristãos. Nas últimas semanas foram registrados ataques a duas igrejas no sul do Egito.

Os coptas representam 10% da população de 80 milhões de pessoas. Eles temem a ascensão ao poder de extremistas islâmicos. O novo governo egípcio começará a ser formado nas eleições parlamentares, marcadas para novembro.

Crise. O primeiro-ministro egípcio, Esam Sharaf, convocou uma reunião de emergência com ministros e pediu a formação de um comitê de crise para analisar a repercussão dos confrontos de ontem. / EFE e AP

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