Ivan Sekretarev / AP
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Choque entre separatistas e Exército deixa 9 mortos no leste da Ucrânia

A três dias da eleição presidencial, país tem combates nas regiões de Donetsk e Luhansk

ANDREI NETTO - ENVIADO ESPECIAL / DONETSK, UCRÂNIA,

22 Maio 2014 | 08h57

Pelo menos nove soldados do Exército da Ucrânia morreram e mais de 19 ficaram feridos na madrugada desta quinta-feira em choques violentos com separatistas nas regiões de Donetsk e de Luhansk, no leste do país. Os confrontos acontecem três dias antes das eleições presidenciais de domingo, as primeiras desde a deposição de Viktor Yanukovich e do estouro da crise política, iniciada em novembro.

O primeiro ataque aconteceu a uma barreira montada pelas Forças Armadas na região de Volnovaha, a 60 quilômetros de Donetsk. De acordo com a versão do Ministério do Interior, um grupo separatista armado de fuzis, morteiros e granadas teria investido contra um veículo de transporte, deixando oito soldados mortos e 17 feridos. Uma segunda ofensiva aconteceu próximo à fronteira com a Rússia, quando separatistas atiraram contra um comboio militar ucraniano deixando um soldado morto e dois feridos.

As mortes fazem desta quinta-feira o dia mais mortífero desde o período entre 13 de abril e 16 de maio, quando os confrontos causaram 127 mortes.

Os novos choques têm como pano de fundo a determinação dos separatistas de Donetsk e Lugansk de não permitirem a realização das eleições de domingo, organizadas pelo governo interino de Kiev, considerado ilegítimo pelos grupos armados do leste. Na terça-feira, Aleksandr Borodai, "eleito" líder interino da "República Popular de Donetsk" - declarada unilateralmente após o referendo popular em 11 de maio -, ressaltou que não permitirá a votação na região. "Não haverá nenhuma eleição presidencial no território de nossa república", disse ele.

Já o Ministério do Interior tenta garantir que os dois milhões de habitantes das duas regiões possam comparecer às urnas no domingo. Um total de 75 mil homens foram mobilizados, dos quais 20 mil "voluntários" - milicianos nacionalistas - pelo governo interino para tentar assegurar a abertura dos postos de votação no final de semana.

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