Choque entre tropas paquistanesas e insurgentes mata 85 em área tribal

Conflito começou horas após a vitória de Musharraf, que reiterou seu compromisso de lutar contra o terrorismo

Islamabad, O Estadao de S.Paulo

08 de outubro de 2007 | 00h00

Um confronto entre milícias islâmicas e forças paquistanesas deixou ontem ao menos 85 mortos numa área tribal no Waziristão do Norte, na fronteira com o Afeganistão. O conflito teve início na noite de sábado - poucas horas após a vitória do general Pervez Musharraf nas eleições presidenciais -, quando um comboio militar caiu em uma emboscada da milícia afegã Taleban. Segundo o general Waheed Arshad, o Exército contra-atacou e os confrontos se espalharam para áreas vizinhas. Pelo menos 65 rebeldes e 20 soldados foram mortos e há mais de 30 feridos. Testemunhas disseram que já havia uma ação militar na área, provavelmente uma preparação para uma ofensiva contra os insurgentes. Vitorioso após a eleição, Musharraf pode intensificar o combate aos rebeldes para se fortalecer ainda mais. O general, que apesar de ter recebido a maioria dos votos ainda não foi declarado reeleito , é um dos principais aliados dos americanos em sua luta contra o terrorismo e por isso sofre intensa pressão dos EUA para combater os insurgentes. Nos últimos meses, Musharraf perdeu apoio da população, que por causa dos crescentes conflitos na área tribal passou a contestar sua política de apoio à Casa Branca. Mesmo sob pressão, Musharraf tem se mostrado decidido a manter seu apoio aos EUA. Em seu discurso após ser reeleito, ele afirmou que continuará "100% comprometido com a luta contra o terrorismo". O Waziristão é considerado um reduto de apoio à milícia afegã do Taleban e à Al-Qaeda. É lá que, segundo os EUA, os radicais estão reconstituindo suas forças, mesmo com a presença de mais de 90 mil soldados paquistaneses.A onda de violência no país que revoltou a população começou em julho, quando militares invadiram a Mesquita Vermelha, em Islamabad, onde islâmicos radicais estavam entrincheirados. Na mesma época, um acordo de paz com os militantes do Waziristão do Norte fracassou, intensificando os confrontos. Desde então, mais de 300 pessoas foram mortas em ataques terroristas. Além disso, desde agosto, cerca de 200 soldados paquistaneses foram seqüestrados no Waziristão e até hoje permanecem sob poder dos rebeldes.O presidente também pediu a reconciliação entre os partidos políticos para lidar com problemas como o extremismo religioso e o terrorismo, qualificados por ele como os maiores desafios que o país enfrenta atualmente. Musharraf também fez um apelo à nação para que rejeite aqueles que "instigam conflitos na sociedade". AFP E REUTERS

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