Mohamed Abd El-Ghany/Reuters
Mohamed Abd El-Ghany/Reuters

Choque sectário no Egito deixa 12 mortos

Confrontos entre cristãos e muçulmanos no Cairo também ferem 223 e contribuem com a desordem no processo de transição para a democracia

AP e Efe, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2011 | 00h00

Centenas de cristãos coptas e muçulmanos entraram em choque ontem no centro do Cairo, atirando pedras uns contra os outros. O confronto ocorreu depois que grupos muçulmanos atearam fogo a uma igreja na noite de sábado, deixando pelo menos 12 mortos e 223 feridos.

A onda de violência relacionada à religião está contribuindo para o aumento da desordem no já atribulado processo de transição para a democracia no país, após três décadas de comando do ex-presidente Hosni Mubarak, que deixou o poder em fevereiro depois de intensos protestos populares.

Jovens muçulmanos atacaram ontem uma multidão de cristãos que estava marchando no centro da capital egípcia. Imagens transmitidas pela TV mostravam ambos os lados atirando pedras, enquanto uma unidade do Exército observava a confusão, sem fazer nada para pôr um fim à violência.

O confronto ocorreu horas depois de, na noite de sábado, muçulmanos terem incendiado uma igreja no Cairo por acreditar que os cristãos mantinham presa no local uma mulher que se havia convertido ao Islã para se casar com um jovem muçulmano.

Os coptas representam entre 6% e 10% dos cerca de 80 milhões de habitantes do Egito. Mas relacionamentos entre indivíduos de religiões diferentes ainda são considerados tabu no país. Há meses a polêmica sobre a suposta conversão de mulheres cristãs ao Islã que teriam sido sequestradas e estariam presas em igrejas e monastérios provoca tensões entre as duas comunidades. Os choques entre cristãos e muçulmanos ocorrem normalmente no sul do país, mas, atualmente, têm ocorrido com maior frequência no Cairo.

Ontem, o governo egípcio - que desde a queda de Mubarak tem sido controlado pelo Exército - assegurou que atuará com "mão de ferro" para defender a segurança do país e tomará medidas contra os ataques em locais de culto religioso. Os militares ainda afirmaram que prenderam 190 suspeitos relacionados à onda de violência.

Condenação. Ontem, a Irmandade Muçulmana condenou os choques sectários no Cairo, afirmando que "algumas forças internas" buscam reverter os resultados da revolução que tirou Mubarak do governo. "Condenamos o radicalismo cego e as tentativas de alguns de resolverem problemas longe das leis", afirmou o grupo em nota.

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