Choques em protesto de casta deixam dois mortos na Índia

Minoria tribal Gujjar exige reconhecimento oficial que garante benefícios estatais garantidos pela Constituição

Efe e Associated Press,

30 de maio de 2008 | 10h48

Pelo menos dois manifestantes da tribo Gujjar morreram nesta sexta-feira, 30, por disparos da polícia na região indiana do Rajastão, o que eleva para 39 o número de mortos desde o início da revolta. Os policiais tentaram dissolver os protestos, levando os manifestantes a lançar pedras contra os agentes, que responderam abrindo fogo, segundo uma fonte oficial citada pela agência PTI.   Há uma semana, os gujjar, que constituem entre 4 e 7% dos 56 milhões de habitantes do Rajastão, iniciaram uma revolta para exigir ao governo o reconhecimento oficial de "tribo", que supõe benefícios como a reserva de postos estatais garantidos pela Constituição. Membros desta tribo bloquearam na quinta as principais estradas que ligam Nova Délhi com as regiões vizinhas, em uma tentativa de isolar a capital da Índia.   Outros dois membros da comunidade Gujjar e quatro policiais ficaram feridos nos conflitos, que ocorreram na localidade de Sawai Madhopur. Outra fonte policial assegurou que um agente também morreu nos distúrbios, durante os quais a polícia lançou gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os gujjar tinham bloqueado uma estrada de Sawai Madhopur, situada a 170 quilômetros de Jaipur, a capital do Rajastão.   Os membros da etnia Gujjar foram às ruas depois que, na semana passada, um painel governamental recomendou um pacote de US$ 70 milhões (R$ 116,2 milhões) em auxílio para essa comunidade, mas não atendeu a uma demanda de reclassificação dessa casta.   Os Gujjar são considerados parte do segundo grupo mais inferior do país. Estão, portanto, um degrau acima dos Intocáveis. No ano passado, 36 pessoas morreram durante protestos dos Gujjar na mesma região.   O sistema de castas hindu foi considerado ilegal pouco após a independência do país do Reino Unido, em 1947. Mas ele permanece incutido na sociedade e o governo estabelece cotas para empregos e postos na universidade para os diferentes grupos de castas indianos.

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