Choques entre Fatah e Hamas provocam tensão em Gaza

A tensão entre os nacionalistas do Fatah e o movimento islâmico Hamas parece se estender da Faixa de Gaza à Cisjordânia depois que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, declarou as milícias islâmicas ilegais com o objetivo de reorganizar os organismos de segurança.A tensão aumentou no sábado em Gaza após a difusão em Ramallah de um decreto de Abbas, líder do Fatah, que tornou ilegal a "força executiva" do Hamas.O Exército Islâmico, ligado a um clã liderado por Mumtaz Dormush, matou na noite de sábado três membros de uma família de ativistas do Hamas, após seqüestrar outros cinco militantes islâmicos como vingança pela morte de dois de seus parentes, integrantes do Fatah, há duas semanas, na Cidade de Gaza.Dormuch é suspeito de ter em seu poder o jornalista gráfico peruano Jaime Razuri, seqüestrado na segunda-feira passada, e de quem não se têm notícias porque nenhuma facção assumiu a autoria do ataque.ConflitoOs novos incidentes entre o Hamas e o Fatah em Gaza, que já duram três semanas, se agravaram recentemente quando Abbas anunciou a intenção de antecipar as eleições. As últimas foram vencidas pelo movimento islâmico, há um ano.A tensão aumentou ainda mais no sábado, depois que foi divulgado em Ramallah um decreto que coloca na ilegalidade milhares de milicianos islâmicos da chamada "força executiva" ou "força auxiliar" da ANP.Um porta-voz da milícia islâmica afirmou que o número de efetivos dessa força será duplicado, passando de 6 mil para 12 mil. O primeiro-ministro da ANP, Ismail Haniyeh, distanciado politicamente de Abbas, respondeu ao decreto afirmando no Sábado que que a "força executiva", que opera como um organismo auxiliar de outros da ANP, "é legal", pois foi criada pelo Ministério do Interior e depende desse órgão.Na manhã deste domingo, meios de comunicação palestinos expressavam o temor de que os choques entre o Fatah e o Hamas, até a véspera quase exclusivamente em Gaza, onde predomina o movimento islâmico, se estendam à Cisjordânia, onde os nacionalistas leais ao Governo de Abbas são mais fortes.Observadores palestinos concordaram hoje em afirmar que as hostilidades aumentarão se Abbas e Haniyeh continuarem separados no plano político e forem incapazes de formar um Governo de uniãonacional, que é negociado há meses sem êxito.

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