Choques explodem à luz do dia em Londres

Tumultos no bairro de Hackney ocorrem após episódios das duas últimas noites.

BBC Brasil, BBC

08 de agosto de 2011 | 14h51

Manifestantes e policiais entraram em confronto nas ruas do bairro londrino de Hackney na tarde desta segunda-feira.

Os choques ocorrem após vários episódios de violência na cidade durante as noites de sábado e domingo, nos quais mais de 200 pessoas foram detidas.

"Acabo de ver as imagens dos incidentes que acontecem em Hackney. O que vemos é que a polícia está enviando um grande efetivo ao local", disse o porta-voz da Polícia Metropolitana de Londres (conhecida como Scotland Yard), Steve Kavanagh.

A região de Hackney abriga várias famílias de baixa renda da capital britânica.

Também na tarde desta segunda-feira, um ônibus foi incendiado em outra região de Londres, Peckham, no sudeste da cidade. A tropa de choque está nas ruas do bairro e não há relatos de feridos.

Em Lewisham, também no sudeste, imagens mostram veículos incendiados e as ruas isoladas após incidentes violentos.

As revoltas que explodiram na noite de sábado no bairro de Tottenham se espalharam para outras regiões de Londres na noite de domingo, que foi marcada por saques e violência em ruas da cidade.

Pessoas foram presas, policiais sofreram ataques, e lojas foram saqueadas e destruídas em vários pontos do norte de Londres, além de Brixton, no sul, e de Oxford Circus, no centro turístico da capital britânica.

A Scotland Yard disse que os incidentes são imitações de atividades criminosas, que começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, de 29 anos.

Morte

Duggan foi morto por policiais na quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro.

Os policiais não divulgaram detalhes do suposto tiroteio, em que um policial também teria sido ferido à bala, mas prometeram uma investigação.

No sábado, manifestantes se reuniram para exigir respostas da polícia a respeito da ação.

Por volta das 20h (16h no horário de Brasília), um tumulto começou e a polícia foi acionada.

Alguns manifestantes jogaram bombas caseiras contra a polícia e alguns prédios. Um ônibus de dois andares foi incendiado. Um supermercado, uma loja de carpetes e outros prédios também pegaram fogo.

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Em seguida, a violência começou a se espalhar para bairros vizinhos e depois para outras áreas da cidade. Veículos da polícia foram atacados e grupos de dezenas de jovens saquearam e incendiaram lojas.

"Eles destruíram a (casa de apostas) William Hill, colocaram fogo em latas de lixo (...) Eu vi uma (loja de celulares) Vodafone saqueada, uma (loja de calçados) Footlocker saqueada e incendiada, eu vi um (supermercado) Marks & Spencer atacado", relatou o jornalista da BBC Paraic O'Brien, que estava em Brixton.

Jornalistas também disseram ter visto jovens lançando pedras e garrafas contra a polícia e até usando extintores de incêndio para impedir a aproximação dos policiais, enquanto eles saqueavam lojas.

O repórter Andy Moore, da BBC, testemunhou as duas noites de violência e disse que elas tinham motivações bem diferentes.

"O que pode ter sido iniciado em Tottenham por jovens ressentidos com o que eles viam como perseguição policial se tornou algo de natureza bem diferente. Na noite passada, havia uma impressão de que os saques, a violência e a desordem em Londres estavam sendo coordenados nos sites de mídia social", disse ele.

'Níveis absurdos de violência'

"Os policiais estão chocados com os absurdos níveis de violência dirigidos a eles. Pelo menos nove policiais foram feridos esta noite, além dos 26 da noite de sábado. Nós não vamos tolerar essa violência deplorável. A investigação continua para levar esses criminosos à Justiça", disse a comandante da polícia Christine Jones.

Partes de Tottenham, onde os tumultos começaram, ainda estão isoladas para que policiais e especialistas forenses examinem o local dos confrontos.

Até o momento, 16 pessoas já foram indiciadas por crimes como roubo, violência e posse de arma.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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