Churchill defendia execução sumária para Hitler

Winston Churchill, primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial, desejava ver o ditador alemão Adolf Hitler executado sumariamente após o término do conflito em vez de ser julgado se fosse capturado vivo. A informação revelada neste domingo consta de documentos secretos com registros das reuniões do gabinete de guerra de Churchill.Os registros, feitos pelo secretário de gabinete Norman Brook, são os primeiros de uma reunião do gabinete britânico a serem abertos ao público com detalhes. Até hoje, as discussões de gabinete eram tradicionalmente descritas de maneira geral, sem detalhes, sugerindo seus membros movendo-se serenamente para conclusões inevitáveis. As anotações de Norman Brook reveladas agora, que cobrem o período de 1941 a 1945, mudam essa concepção.Em relação a Hitler, Churchill teria feito uma piada macabra sobre executá-lo em uma cadeira elétrica emprestada dos Estados Unidos. Quando a guerra na Europa caminhava para o seu final, Churchill disse que seria uma farsa julgar Hitler antes de enforcá-lo. Para ele, Hitler e outros altos comandantes nazistas deveriam ter execuções sumárias.Um alto representante do Partido Trabalhista no gabinete, Herbert Morrison, concordou com o premiê, dizendo que um possível julgamento seria apenas uma simulação, um ato político, e que a Grã-Bretanha deveria simplesmente declarar que executaria todos eles. Outros membros do gabinete, porém, argumentaram que os americanos e o líder russo Josef Stálin insistiam na realização de um julgamento.Um importante marechal de guerra, Jan Smuts, disse que não havia leis que cobrissem os crimes de Hitler e que um decreto especial seria necessário para legalizar a execução.As discussões do gabinete de guerra britânico reveladas neste domingo têm um eco na atualidade, com o desconforto do Ocidente com o julgamento de Saddam Hussein no Iraque. O gabinete britânico de 1945 estava dividido por conta da possibilidade de que seu inimigo pudesse ter uma última plataforma para diminuir e questionar os aliados aos olhos do mundo.

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