Churchill queria cotas para imigrantes negros

Documentos de 1954 mostram preocupação do então premiê britânico com possíveis conflitos raciais no país

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2007 | 00h00

O aumento da chegada de imigrantes negros à Grã-Bretanha na década de 40 preocupou Winston Churchill, o então primeiro-ministro britânico, que chegou a considerar a criação de cotas, de acordo com documentos oficiais divulgados ontem pelo Arquivo Nacional. Para Churchill, os imigrantes "de cor" queriam se aproveitar do sistema de bem-estar social britânico. A idéia das cotas começou a ser discutida numa reunião de gabinete em 3 de fevereiro de 1954, seis anos após a chegada de 492 imigrantes jamaicanos no navio Empire Windrush. "Se muitas pessoas de cor chegarem ao país, teremos problemas. Será que queremos complicações raciais na Grã-Bretanha? O atrativo (para os imigrantes) é o sistema de bem-estar social. A opinião pública não tolerará se isso passar de certos limites", disse Churchill na reunião, de acordo com anotações do então secretário de gabinete, Norman Brook.David Maxwell-Fyfe, ministro do Interior na época, revelou na reunião que o número de negros na Grã-Bretanha havia subido de 7 mil antes da 2ª Guerra para 40 mil no ano de 1954. Na época, de acordo com Maxwell-Fyfe, 3.666 imigrantes negros não tinham emprego e 1.870 dependiam de assistência social. "Todas as medidas administrativas para desencorajar a imigração foram tomadas. O único passo possível é o controle da imigração", afirmou. O ministro, no entanto, reconheceu que a medida poderia causar polêmica. "A população de cor não é bem-vinda pelos moradores de Paddington e outras áreas. Mas os britânicos que não os conhecem podem adotar uma posição mais liberal", ressaltou. Churchill terminou a discussão afirmando que talvez fosse melhor esperar que a opinião pública estivesse ao lado do governo antes de tomar qualquer medida. "Pode ser sábio esperar. Mas será fatal se esperarmos demais", disse. THE GUARDIAN

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