Chuvas deixam cidades submersas na Bósnia

Mais de 3 mil deslizamentos ocorreram nos Bálcãs neste domingo, espalhando entulho sobre cidades inteiras e vilarejos, além de causar temores quanto aos deslocamento e desaparecimento das marcas que identificam os locais onde se encontram 120 mil minas terrestres da guerra da década de 1990 na região.

Agência Estado

18 Maio 2014 | 17h00

Na mais devastadora enchente já ocorrida nos últimos 120 anos, milhares de pessoas tiveram de abandonar suas casas. O número de mortos está em 24 pessoas e estima-se que poderá subir. As enchentes ameaçam mais de um quarto da população d

As águas ameaçam também a mais importante usina de energia elétrica da Sérvia, que distribui energia para um terço da população do país e para a maior parte da capital, Belgrado. Autoridades organizaram o resgate por helicóptero de pessoas ameaçadas pela enchente, antes que suas residências sejam destruídas pelas águas.

"A situação é catastrófica", disse o ministro da Bósnia, Adil Osmanovic. Nos últimos três dias, choveu o equivalente a três meses, provocando a pior enchente desde que foram iniciadas as medições de chuvas, há 120 anos. Pelo menos 24 pessoas morreram e espera-se que esse número aumente.

As chuvas causaram cerca de 2.100 deslizamentos que cobriram ruas, casas e vilarejos na Bósnia. Outros 1.000 deslizamentos foram reportados na Sérvia. As cidades de Orasje e Brcko, no nordeste da Bósnia, onde o rio Sava forma uma fronteira natural com a Croácia, estão sob risco de ficarem submersas. Autoridades de Brcko ordenaram a retirada de toda a população em seis vilarejos.

O resgate orienta as pessoas que subam nos telhados ou balcões de suas casas com tecidos brilhantes para ficarem visíveis. O prefeito de Brko, Anto Domic, pediu ao Ministério da Defesa que use helicópteros para colocar barreiras de aço apoiadas em sacos de areia para conter a água. Segundo ele, sem a ajuda por ar do Exército Bósnio a cidade será completamente inundada.

O comandante da proteção civil de Fahrudin Solak disse que o rio Sava está transbordando por outro lado da barreira contra enchente em Orasje, enquanto homens do serviço de emergência tentam desesperadamente reforçá-lo com sacos de areia.

A usina de energia a carvão Nikola Tesla, a maior da Sérvia, já está com algumas de suas partes sob a água, assim como a mina de carvão que a abastece. A companhia estatal de energia da Sérvia, EPS, disse que tudo está sendo feito para evitar maior prejuízo à usina. Somente na mina estima-se que o prejuízo tenha alcançado US$ 137 milhões.

O ministro da energia da Sérvia, Aleksandar Antic, apelou à população para que economize energia, uma vez que a ameaça à usina é muito séria.

As águas e os deslizamentos também causam preocupações quando as cerca de 1 milhão de minas terrestres da guerra da Bósnia de 1992 a 1995. Próximo a 120 mil das minas que não explodiram continuam plantadas em mais de 9,4 mil locais marcados com alerta de cuidado. Mas a água arrastou os sinais e em muitos casos deslocou as minas. Existe também o risco de as minas "viajarem" para outros locais da Europa ou ficarem presas em turbinas de hidrelétricas.

Uma vista aérea mostra que um terço do nordeste da Bósnia está coberta por água e lama, enquanto as casas, ruas e linhas férreas estão submersas. Autoridades disseram que cerca de 1 milhão de pessoas, o equivalente a mais de um quarto da população do país, vive nas regiões mais afetadas pela enchente.

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