REUTERS/Philippe Wojazer
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Chuvas fortes atingem a França e obrigam museus a transferirem obras de arte

Governo mantém em alerta 13 departamentos do país, especialmente em Paris, onde o Rio Sena pode chegar a 6 metros de altura

Andrei Netto, Correspondente / PARIS, O Estado de S. Paulo

03 Junho 2016 | 10h52

O nível do Rio Sena, em Paris, ultrapassou nesta sexta-feira a barreira dos seis metros acima de seu nível normal, aumentando a preocupação da população que vive às margens na capital e na região metropolitana. Os primeiros imóveis começaram a ser atingidos no final da manhã, assim como porões de subsolo e garagens de edifícios, enquanto os museus de Louvre e D'Orsay e o Grand Palais foram fechados ao público para transferência de seus acervos. As primeiras estimativas indicam que o prejuízo para seguradoras possa chegar a € 600 milhões.

A cheia do Sena chegou às 19 horas de sexta-feira a 6,07 metros acima de seu leito normal, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Ainda à noite, a expectativa das autoridades era a de que o pico poderia alcançar 6,5 metros ou até 6,7 metros – em qualquer dos casos superando o recorde de 1982 e tornando-se a maior cheia desde 1955, quando a alta do rio chegou a 7,10 metros.

Alguns imóveis do 16º distrito da capital já foram atingidos, assim como bares, boates, restaurantes e sedes náuticas e portuárias situados nos cais do Sena. Prevendo o aumento da área inundada, a prefeitura iniciou na noite desta sexta-feira a instalação de barreiras de contenção de águas diante da Torre Eiffel e em grandes avenidas. 

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Segundo balanço parcial, além de duas mortes, mais de 20 mil pessoas tiveram de deixar suas casas em Paris, na região metropolitana e no centro da França, onde vilarejos e cidades inteiras acabaram sendo invadidas pelas águas. Cerca de 18 mil residências sofriam cortes de energia no início da noite, dos quais 7,4 mil na região metropolitana de Paris. Entre os casos mais críticos estão os das cidades de Villeneuve-Saint-Georges, Crécy-la-Chapelle e Melun, que foram submersas.

Além das residências diretamente atingidas, a alta dos rios teve impacto sobre o transporte público. Desde às 20h desta sexta-feira, uma das linhas do trem metropolitano (RER) de Paris foi fechada em toda a sua extensão. Mais de 20 estações de metrô de Paris, entre elas grandes entroncamentos como Châtelet e Gare de Lyon, podem ser fechadas se as águas atingirem 6,6 metros, segundo o plano de prevenção da companhia pública de gestão de transportes (RATP). 

A célula de crise montada pela prefeitura de Paris passaria a noite de sexta-feira ao sábado em alerta para monitorar o nível do Sena. "Uma vez que o pico seja atingido, as previsões indicam uma estabilização durante vários dias, no qual as águas se manteriam em 6,5 metros, antes de descer progressivamente", informou a prefeitura de Paris em comunicado. "O retorno ao normal levará até duas semanas."

Vida que segue. Uma das grandes preocupações diz respeito às obras de arte, que nesta sexta-feira tiveram de ser protegidas, em especial nos museus do Louvre e D'Orsay e no Grand Palais, todos três situados às margens do Sena. A medida é preventiva e tem como objetivo facilitar a retirada dos acervos de reserva e das obras expostas em subsolos. Por isso as instituições  fecharam suas portas – no caso do Louvre até terça-feira. Mas o maior museu do mundo, que recebe 9 milhões de frequentadores por ano, está a salvo, garantiu ontem o presidente do Louvre, Jean-Luc Martinez. "Não há inundação no museu. Trata-se de uma precaução para dispor de três dias necessários para retirar as coleções em condições satisfatórias", disse Martinez.

Quanto à vida cotidiana, a maior mobilização acontece entre moradores de edifícios que têm estacionamentos e porões nos subsolos. Com o volume de chuvas, os lençóis freáticos saturaram, fazendo com que a água transpire do solo mesmo em regiões não atingidas por enchentes. "Estamos salvando o que podemos", disse um morador do 5º distrito de Paris, que limpou seu porão.

De acordo com a Associação Francesa de Seguro (AFA), as primeiras estimativas indicam um prejuízo de centenas de milhões. "É provável que o custo não seja inferior ao das inundações que atingiram a França em outubro de 2015, com prejuízos da ordem de € 600 milhões", estimou Bernard Spitz, presidente da AFA.


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