Chuvas já mataram mais de 2 mil no sul da Ásia desde junho

Ao menos 19 milhões de pessoas estão desabrigadas, a maioria na Índia, onde cerca de 1.500 ja morreram

Associated Press

10 de agosto de 2007 | 19h19

Uma tempestade originada na Índia chegou na quinta-feira ao sul do Paquistão, inundando diversas áreas da maior cidade do país e provocando a morte de pelo menos 22 pessoas, informaram nesta sexta-feira, 10, autoridades e a imprensa locais. Ao todo, a descoberta de novos corpos elevou a 2.090 o total de mortos no sul da Ásia desde junho, quando começou a atual temporada de chuvas de monção. Das 2.090 mortes, cerca de 1.550 ocorreram na Índia. Pelo menos 19 milhões de pessoas, a maioria na Índia e em Bangladesh, estão desabrigadas. No Paquistão já morreram 222 pessoas e no Nepal 92 pessoas. Nesta sexta, autoridades paquistanesas tentavam avaliar os danos provocados pelas tempestades que atingiram Karachi, onde moram cerca de 15 milhões de pessoas. Anwar Kazi, um porta-voz de um serviço particular de resgate, disse que 22 corpos foram retirados de imóveis destruídos e que 24 pessoas ficaram feridas. Uma emissora local de televisão informou que também houve mortes por eletrocução. Zaheer Babar, do Departamento de Meteorologia do Paquistão, disse que a tempestade que atingiu Karachi na quinta-feira resultou de um sistema de monção formado na Baía de Bengala, a maior de 1.500 quilômetros dali, no outro lado da Península Indiana, e chegou ao Paquistão pela província de Sindh. Em junho, chuvas de monção mataram mais de 200 pessoas em Sindh. A Unicef, braço da Organização das Nações Unidas(ONU) para a infância, alertou que as crianças são o grupo mais vulnerável nas enchentes. As crianças formam 40% da população dos países do Sul da Ásia e são mais vulneráveis a doenças provocadas por água não tratada. Apenas no estado indiano de Uttar Pradesh os médicos trataram 1.500 pessoas com diarréia nos últimos dez dias. Com as enchentes e a redução das áreas secas, quase todos os animais selvagens são forçados a procurar abrigo fora das águas - aumentam os ataques de cobras venenosas a humanos. "As serpentes se abrigam até nas árvores. Elas ficam nervosas e apavoradas como todos e tentam morder apenas se uma pessoa se aproximar," diz o médico indiano Vinod Chaudhry, do governo. Na quinta-feira, o governo de Bangladesh informou que pelo menos 35 das 226 pessoas que morreram neste ano por causa das enchentes pereceram por causa de mordidas de cobras venenosas. Foi a segunda causa mortis nas enchentes, após afogamento. Das 1.550 pessoas mortas na Índia, pelo menos 92 morreram porque foram mordidas por cobras venenosas e não foram levadas a tempo aos hospitais para receberem a vacina.

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