CIA adulterou regras médicas em interrogatórios do 11/09

Segundo reportagem do 'Guardian', procedimento foi usado pela agência para práticas análogas à tortura em suspeitos

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2015 | 02h03

A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) teria rompido as próprias normas sobre pesquisa médica com humanos durante interrogatórios de suspeitos de terrorismo, indicou ontem uma reportagem publicada pelo diário britânico The Guardian.

Um documento interno divulgado pelo jornal revela que o diretor da agência tem a prerrogativa de aprovar, modificar ou desaprovar qualquer proposta em relação à pesquisa com humanos, o que teria aberto caminho para a adoção de procedimentos similares à tortura.

Segundo especialistas consultados pelo diário, os limites estabelecidos pela própria agência poderiam ter sido violados por sua equipe médica durante os interrogatórios de suspeitos de terrorismo após os atentados do 11 de Setembro.

Os médicos do Escritório de Serviços Médicos da CIA estavam presentes nessas sessões para aconselhar os agentes sobre a resistência física e psicológica das pessoas interrogadas, segundo relatório da Comissão de Inteligência do Senado americano, que revelou no ano passado as torturas cometidas pela agência.

A CIA, que não admitiu formalmente torturas durante as sessões, alegou que a presença de médicos nos interrogatórios assegurava que qualquer atuação ocorria com rigor médico. "As diretrizes com relação à experimentação com humanos não mudaram após o 11/09 ", diz a agência. / EFE

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